“Os anéis de Saturno”, de W. G. Sebald

capa w g sebald os aneis de saturno

Com a tradução, por Telma Costa, e publicação de “Os anéis de Saturno”, a Quetzal convida-nos a mais uma incursão no universo literário de W. G. Sebald, lidos e relidos que estão “Do natural” , “Austerlitz” e “Os emigrantes”. Não obstante o ponto de partida do romance – uma viagem realizada pelo autor ao litoral britânico banhado pelo mar Negro –, a sua leitura leva-nos a territórios bem mais Continue reading

“Por detrás do candelabro”, de Steven Soderbergh

steven soderbergh behind the candelabra

De que falamos quando falamos de Liberace? Do pianista cujo carisma e exuberância superaram todas as modas, entronizando-o como símbolo abstrato do entertainment? Da celebridade que resistiu até final (faleceu, vitimado por sida, em 1987), inclusive através de ações nos tribunais, ao reconhecimento público da sua homossexualidade? Do ser humano que, para além do fausto das suas performances, viveu uma existência de crescente e angustiada solidão? De tudo isso, sem dúvida. E também do que, através disso, envolve uma visão cética das Continue reading

“Como um trovão”, de Derek Cianfrance

derek cianfrance the place beyond the pines

É verdade que o título português encontra a sua justificação nos diálogos do filme, mas é pena que o sentido geográfico do original – “The place beyond the pines” – se tenha perdido. Sobretudo porque se trata de aludir a uma geografia que, no limite, para além das evidências de qualquer mapa, é sempre interior. Mais do que isso: essa interioridade, sendo emocional, é também eminentemente social, já que, uma vez mais, Derek Cianfrance filma as convulsões de uma Continue reading

“Blue Jasmine”, de Woody Allen

woody allen blue jasmine

De facto, ela não se chama Jasmine. Mudou de Jeanette para Jasmine, procurando garantir alguma vibração romanesca à sua pose social… Mais do que isso: a heroína do novo filme de Woody Allen poderia ostentar o apelido DuBois, de tal modo ele assumidamente a inventa a partir da Blanche DuBois que Tennessee Williams cristalizou, há mais de meio século, em “Um elétrico chamado Desejo”. Enfim, as atribulações dos nomes são sempre tragédias da identidade. E não se fala de outra coisa neste filme que devolve o Continue reading

“O império do amor”, de Michael Winterbottom

michael winterbottom the look of love

Como filmar a teia de poder e dinheiro de Paul Raymond (1925 / 2008), primeiro como empresário de clubes de striptease, depois proprietário de um delirante número de imóveis em Londres, editor de revistas pornográficas e, por fim, um dos homens mais ricos na Grã-Bretanha da década de 90? Michael Winterbottom aposta num registo que, até certo ponto, faz lembrar o seu “24 hour party people” (2002), sobre a música de Manchester e os tempos heroicos da Factory Records: “fingir” que Continue reading

“O mordomo”, de Lee Daniels

lee daniels the butler

Depois de “Precious” (2007) e “The paperboy” (2012), Lee Daniels conta a história verídica de um homem, de raça negra, que serviu durante 34 anos na Casa Branca, tendo conhecido oito presidentes dos Estados Unidos. O filme assume-se como uma recriação dramática (desde logo, alterando o nome do protagonista) que, em qualquer caso, confirma e diversifica a lógica dos filmes anteriores: Daniels é um realista cuja obsessão pelo Continue reading

“Dark horse – Diários de um falhado”, de Todd Solondz

todd solondz dark horse

O título português deste “Dark horse” é quase uma redundância: será que nas histórias de Todd Solondz existe alguém que não seja um… falhado? Vogamos, de facto, no interior de um território cruel em que, num misto de sadismo cinéfilo e masoquismo moral, o autor se empenha em virar do avesso os Continue reading