“O império do amor”, de Michael Winterbottom

michael winterbottom the look of love

Como filmar a teia de poder e dinheiro de Paul Raymond (1925 / 2008), primeiro como empresário de clubes de striptease, depois proprietário de um delirante número de imóveis em Londres, editor de revistas pornográficas e, por fim, um dos homens mais ricos na Grã-Bretanha da década de 90? Michael Winterbottom aposta num registo que, até certo ponto, faz lembrar o seu “24 hour party people” (2002), sobre a música de Manchester e os tempos heroicos da Factory Records: “fingir” que vogamos em ambiente documental, sendo qualquer juízo impressionista uma facilidade que importa contornar (isto sem esquecer que Steve Coogan volta a ser o brilhante protagonista). Na sua ambígua ligeireza factual, o resultado possui a energia de uma genuína tragédia de paixões em que o “amor” a que se refere o título português se vai desfazendo perante as formas mais frias de futilidade, cinismo ou crueldade (o título original, “The look of love”, é uma referência direta, plena de intencionalidade e ironia, à canção de Burt Bacharach e Hal David originalmente gravada por Dusty Springfield). Winterbottom reafirma-se, assim, como um dos mais subtis e sistemáticos exploradores da herança plural do realismo britânico: na sua solidão conceptual e artística, este filme confirma a justeza dos seus princípios narrativos.

João Lopes

12 setembro [estreia nacional]
filme “O império do amor” [“The look of love”], de Michael Winterbottom, com Steve Coogan, Imogen Poots,…
Zon, 2013

 

texto no Sound + Vision

 

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