Monthly Archives: October 2013

“Lore”, de Cate Shortland

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Queremos acreditar que a carreira interessante, mas relativamente discreta, de “Lore” nas salas de cinema poderá ser compensada pelo seu lançamento em dvd. De facto, conhecemos mal a dinâmica do mercado dos filmes e, acima de tudo, quase só podemos especular sobre o seu consumo privado – será que “Lore” vai ter, agora, os muitos espetadores que merece? Isto para dizer que estamos perante um objeto de paradoxal fascínio. Cate Shortland filma a odisseia de uma Continue reading →

“O grande Gatsby”, de Baz Luhrmann

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Se olharmos para os ecrãs do quotidiano, somos forçados a reconhecer que não vivemos tempos de muita paixão pela literatura. A cultura televisiva dominante empenha-se em destruir o gosto da escrita e, convenhamos, possui um poderoso instrumento bélico chamado telenovela… Não admira, por isso, que a adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, “O grande Gatsby”, por Baz Luhrmann, tenha nascido assombrada por Continue reading →

“Fuga”, de Jeff Nichols

jeff nichols mud

Desconcertante visão: num tempo em que predominam os heróis mais ou menos super, mais ou menos digitais, Jeff Nichols propõe um regresso à terra. Em sentido literal e simbólico. “Fuga” é uma desencantada crónica sobre uma América enquistada no tempo, um país de lugares enigmáticos e envolventes, por vezes inquietantes, onde o protagonista de nome Mud (é esse, aliás, o título original: “Mud”) tenta encontrar um lugar em que as suas culpas possam ser redimidas. Que sejam dois rapazes a Continue reading →

“Grand Central”, de Rebecca Zlotowski

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É bem verdade que, na última década, algum do mais interessante cinema francês nasce de uma paciente revalorização dos dispositivos específicos do melodrama. O caso de “Grand Central” é tanto mais subtil quanto um dos mais viscerais elementos melodramáticos – a irredutibilidade de cada corpo – surge enquadrado pelo tema sempre perturbante da Continue reading →

“Raptadas”, de Denis Villeneuve

denis villeneuve prisoners

Que é um enigma policial? Por certo, um exercício de dramaturgia que, através de uma lógica de investigação, conduz a um desenlace mais ou menos apaziguador. Mas também um espelho ambíguo, por vezes perturbante, daquele(s) que investiga(m). O filme de Denis Villeneuve sabe dessa duplicidade e, metodicamente, vai Continue reading →

“O último Elvis”, de Armando Bo

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Talvez seja mesmo verdade. Na ausência do corpo, talvez vivamos sob o signo do espírito de Elvis Presley. Ou, pelo menos, essa possibilidade assombra os seus imitadores profissionais. Armando Bo filma um deles num verdadeiro jogo de espelhos, perversamente documental: o seu ator principal, John McInerny, arquiteto de formação, dedica-se também a Continue reading →

“Frances Ha”, de Noah Baumbach

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A história dos filmes é também uma permanente lição sobre o fluxo ambíguo do tempo. E, nessa medida, sobre o nosso envelhecimento. Assim, voltámos a celebrar a excelência de escrita de Woody Allen graças a “Blue Jasmine”, como se ele fosse a emanação de um cinema abstrato, exterior ao próprio tempo. Subitamente, deparamos com esta crónica novaiorquina assinada por Noah Baumbach, centrada numa personagem à deriva pelo mapa das Continue reading →