Monthly Archives: November 2013

“A vida de Adèle, capítulos 1 & 2”, de Abdellatif Kechiche

abdellatif kechiche la vie d adele chapitres 1 et 2

Ninguém sabe se Abdellatif Kechiche irá filmar os capítulos 3 e 4 da história de Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux). Em todo o caso, o título assinala a questão radical do filme. A saber: esta é uma narrativa que não caminha para um fim, mas que se vai instalando como uma história impossível de acabar. Aquilo que Kechiche coloca em cena é, justamente, esse Continue reading →

“Béla Tarr – O tempo do depois”, de Jacques Rancière

capa jacques ranciere bela tarr o tempo do depois

Em “Os intervalos do cinema” (Orfeu Negro, 2012), Jacques Rancière conduzia-nos através do pensamento que um filme pode conter. Mais do que isso: o filme era encarado como um objeto que pensa, desafiando o espetador e, no limite, o próprio autor que o pensara. Há, por isso, qualquer coisa de lógico na passagem para esta metódica análise da obra do húngaro Béla Tarr, cineasta de “O tango de satanás” (1994), “As harmonias de Werckmeister” (2000) e “O cavalo de Turim” (2011). De facto, ele surge como um criador instalado no Continue reading →

“O conselheiro”, de Ridley Scott

ridley scott the counselor

A cena passa-se entre o advogado (Michael Fassbender) e um especialista em diamantes (Bruno Ganz). O primeiro quer comprar um diamante para oferecer à namorada (Penélope Cruz). E convém dizer que esta é uma daquelas histórias em que o fascínio do objeto lapidado arrasta um prenúncio de tragédia. O próprio vendedor resume tal assombramento, aplicando estas Continue reading →

“2001: Odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick

stanley kubrick 2001 a space odyssey

É verdade que a grandiosidade de um espetáculo cinematográfico está longe de ser uma questão meramente métrica. Mas não é menos verdade que há filmes que não foram concebidos para a pequenez de um ecrã de computador (ainda assim, apetece dizer, muito maior que o de um telemóvel…). “2001: Odisseia no espaço” é um desses filmes: um objeto pensado para o grande ecrã, pelo conceito de mise en scène que o sustenta, mas também pela vocação cósmica que o determina. Este é um ensaio sobre a Continue reading →

“Lisboa”, de David Pintor

capa lisboa

David Pintor está em Lisboa. Na verdade, o humorista gráfico, pintor e ilustrador premiado está em Lisboa tanto quanto Lisboa está nele. Viajante experimentado, Lisboa é a segunda cidade, depois de Compostela, a merecer as honras do seu traço elegante, ligeiro e bem-humorado. Neste caderno de viagem, Pintor captura e acarinha pedacinhos da cidade, em perspetivas e ângulos inusitados, acrescentando aos detalhes visíveis ainda outros elementos imaginários, inesperados, simbólicos ou icónicos (uns mais óbvios, outros mais secretos), com a naturalidade e graça de quem adiciona um toque surreal de Continue reading →

“Vénus de vison”, de Roman Polanski

roman polanski la venus a la fourrure

Dizer que “Vénus de vison” é a história de um encenador e uma atriz que ensaiam uma peça inspirada no romance homónimo de Sacher-Masoch (publicado em 1870), eis uma descrição saborosamente imperfeita. Em primeiro lugar, porque tudo se baralha, transfigurando as memórias literárias do “inventor” do masoquismo num desafio aos Continue reading →

“A mentira de Armstrong”, de Alex Gibney

alex gibney the armstrong lie

No imaginário corrente do desporto, sobretudo na sua expressão televisiva e com inevitável destaque para o futebol, quase tudo se reduz a uma dicotomia simplista: de um lado a galeria dos “vencedores”, do outro a multidão dos “vencidos”… Pode dizer-se que, com as suas sete vitórias no Tour de France (1999 / 2005), o americano Lance Armstrong foi um protagonista de eleição de tal paisagem mediática. Quando regressou para tentar um oitavo triunfo, depois de um interregno de quatro anos, o documentarista Alex Gibney quis acompanhá-lo, testando a Continue reading →