“2001: Odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick

stanley kubrick 2001 a space odyssey

É verdade que a grandiosidade de um espetáculo cinematográfico está longe de ser uma questão meramente métrica. Mas não é menos verdade que há filmes que não foram concebidos para a pequenez de um ecrã de computador (ainda assim, apetece dizer, muito maior que o de um telemóvel…). “2001: Odisseia no espaço” é um desses filmes: um objeto pensado para o grande ecrã, pelo conceito de mise en scène que o sustenta, mas também pela vocação cósmica que o determina. Este é um ensaio sobre a infinita complexidade do fator humano que, numa dicotomia célebre, Kubrick coloca entre duas balizas simbólicas: no princípio, a formação das primeiras comunidades de macacos; no final, no arranque do séc. XXI, a viagem a caminho de Júpiter, numa nave gerida pelo enigmático HAL 9000, por certo o mais lendário computador de toda a história dos filmes. Rever, agora, esta obra-prima numa sala escura, em cópia digital, eis um evento que, por certo, não desagradaria ao seu autor: afinal, ele sempre esperou do espetador que exigisse ao espetáculo a vontade de superar as fronteiras da própria experiência humana. O filme é de 1968, a ação desemboca em 2001 e estamos agora a revê-lo em 2013 – o certo é que continuamos a senti-lo como um objeto à frente do presente.

João Lopes

21 novembro [estreia nacional]
filme “2001: Odisseia no espaço” [“2001: A space odyssey”], de Stanley Kubrick, com Keir Dullea, Gary Lockwood,…
Columbia TriStar Warner, 1968 / 2013

 

texto no Sound + Vision

 

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