Jazz em Agosto 2016

jazz em agosto 2016

Tem sido assim, de modo relativamente evidente, ao longo da última meia dúzia de anos: o Jazz em Agosto divide-se novamente, no roteiro que debuta amanhã, dia 4, entre o útil e o fútil, entre a credibilidade e a incredulidade, entre a excelência e a excedência. Há concertos imperdíveis, concertos razoáveis e concertos evitáveis. Mas o que realmente interessa é que existe. O que realmente interessa é que insiste. O que realmente interessa é que resiste. Não é fácil fazer melhor, sobretudo num campo sensorial intelectualmente tão exigente e labiríntico quanto este; contudo, não há como reprimir o Continue reading

“MM3”, de Metá Metá

capa meta meta mm3

Rigorosamente tudo o que aqui se faz ressoar se patenteia como instintiva tensão telúrica, impressionista energia primitiva, iconoclasta profundidade ancestral – tudo como numa intangível fantasia ritualística e epifânica. Ou seja, rigorosamente nada aqui é Continue reading

“American tunes”, de Allen Toussaint

capa allen toussaint american tunes

Da realidade como o avesso da fatalidade: o tom é jubilar – como na idiossincrasia de um funeral de New Orleans, casa imaterial de Allen Toussaint -, o tom é de jubilar vida imaterial e eterna nestas “American tunes” que firmou dias antes da sua morte. Desapressado, como o mais lhano e íntegro cursar do tempo, rigorosamente adverso ao Continue reading

“Can’t stand the pressure”, de Karl Hector & The Malcouns, e “From the deep”, de The Heliocentrics

capa karl hector and the malcouns cant stand the pressure

Da identidade, alteridade e metafísica do jazz: se o jazz é o som da surpresa, se o jazz é a mutação genética da matéria musical por excelência, se o jazz é impuro por natureza, de que vale cada purista que lhe agrilhoa o universo? O jazz é aquilo que cada ouvido souber que o jazz é. O jazz está isto, o jazz é Continue reading

“We be all africans”, de Idris Ackamoor e The Pyramids

capa pyramids we be all africans

Impremeditada e insuspeitamente, o saxofonista e compositor americano Idris Ackamoor converte-se num dos mais expressivos protagonistas da música de exceção deste ano. No primeiro de abril – parecia mentira, mas a sua clari/evidência sonora era assaz veraz… – cumpriu-se a chamada ao Continue reading

“Great spirit”, de William Parker e Raining On The Moon, e “William Parker – Stan’s hat flapping in the wind”, de Lisa Sokolov e Cooper-Moore

capa william parker great spirit

Quanto vale uma canção no jazz não conformista do século XXI? Como se ergue uma voz narrativa num contexto desafiante e crescentemente abstrato? Que potencial de ação estética resta aos cantores para lá do american songbook e de umas quantas derivações mais ou menos marginais? Na sua sagaz discrição, William Parker tem sido um raro e paradigmático respigador nesta matéria, ensaiando responder a estas dúvidas (e, pelo caminho, formulando uma miríade de questões análogas), conjugando uma identidade deveras singular para o cancioneiro que ousou medrar em Continue reading

“Crowded solitudes”, de Eric Revis Trio

capa eric revis trio crowded solitudes

A experiência futurista, a premência vanguardista, o imperativo exploratório do desconhecido são, no jazz, matérias primevas, combustíveis seminais. Mais do que um indisfarçável enlevo por alguns dos mais inauditos recantos dos anais jazzísticos, há na música de Eric Revis um indisfarçável enlevo por alguns dos mais inauditos recantos dos anais da Continue reading