“Day breaks”, de Norah Jones

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Um colossal corpo celeste de tão singela aparência – é assim a natureza de uma estrela. Um mistério que inversamente se aplica a Norah Jones, rútila estrela mor de uma galáxia artística de fachada jazzística, astronómica na sua projeção e prestígio mediático, e, no entanto, tão Continue reading

“Desire & freedom”, de Rodrigo Amado Motion Trio [entrevista]

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Sensivelmente tudo na confluente prática artística do saxofonista (e fotógrafo) português Rodrigo Amado tem inerente a si uma acurada preleção narrativa, assente num ideário de reflexão e de ação, do momento e do movimento, do dever e do devir, incontinente continuum ético e estético de exceção. Seguramente não por acaso, é esse “movimento” (perpétuo) que nomeia a sua mais arraigada irmandade criativa: o Motion Trio. Sucedendo aos quatro assombrosos registos por si publicados no último par de Continue reading

“Secular hymns”, de Madeleine Peyroux

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Mais do que em qualquer outro instante do seu viés fonográfico, podemos afiançar que “isto” não é exatamente “isso”; é sensivelmente outra coisa… Madeleine Peyroux sempre foi outra coisa. Outrem. Distinta. Uma identidade diversa. Uma mutante alteridade própria. Ou um impróprio ser e não ser alheio – que quando se apropria do cancioneiro norte americano é como ninguém. Rigorosamente desigual. Provam-no, com um paradoxal Continue reading

“The blue shroud”, de Barry Guy

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Por entre trincheiras e túneis morais de profusa verticalidade e intrepidez, o contrabaixista e compositor britânico Barry Guy vai sondando e esmiuçando os insuspeitos trilhos que encadeiam “Guernica” com a Cimeira das Lajes. Dito de outro modo, vai estudando a derradeira amplificação do Continue reading

“Semikujira”, de Arashi, e “Ana”, de Large Unit

De que matéria e predicados se faz, por estes tempos, um baterista de idiossincrática voz criativa, soberano protagonista na evolução hermenêutica do instrumento e do quadro musical em que se aplica, e que ouse abdicar de pueris rotinas malabares? Paal Nilssen-Love sabe-o como poucos. Paal Nilssen-Love sabe-o como os grandes. Paal Nilssen-Love sabe tudo. Paal Nilssen-Love tem todas as respostas. O prodigioso percussionista norueguês tem vindo, sensivelmente desde o dealbar deste século, a forjar uma Continue reading

Jazz em Agosto 2016

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Tem sido assim, de modo relativamente evidente, ao longo da última meia dúzia de anos: o Jazz em Agosto divide-se novamente, no roteiro que debuta amanhã, dia 4, entre o útil e o fútil, entre a credibilidade e a incredulidade, entre a excelência e a excedência. Há concertos imperdíveis, concertos razoáveis e concertos evitáveis. Mas o que realmente interessa é que existe. O que realmente interessa é que insiste. O que realmente interessa é que resiste. Não é fácil fazer melhor, sobretudo num campo sensorial intelectualmente tão exigente e labiríntico quanto este; contudo, não há como reprimir o Continue reading

“MM3”, de Metá Metá

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Rigorosamente tudo o que aqui se faz ressoar se patenteia como instintiva tensão telúrica, impressionista energia primitiva, iconoclasta profundidade ancestral – tudo como numa intangível fantasia ritualística e epifânica. Ou seja, rigorosamente nada aqui é Continue reading