“Semikujira”, de Arashi, e “Ana”, de Large Unit

De que matéria e predicados se faz, por estes tempos, um baterista de idiossincrática voz criativa, soberano protagonista na evolução hermenêutica do instrumento e do quadro musical em que se aplica, e que ouse abdicar de pueris rotinas malabares? Paal Nilssen-Love sabe-o como poucos. Paal Nilssen-Love sabe-o como os grandes. Paal Nilssen-Love sabe tudo. Paal Nilssen-Love tem todas as respostas. O prodigioso percussionista norueguês tem vindo, sensivelmente desde o dealbar deste século, a forjar uma Continue reading

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Jazz em Agosto 2016

jazz em agosto 2016

Tem sido assim, de modo relativamente evidente, ao longo da última meia dúzia de anos: o Jazz em Agosto divide-se novamente, no roteiro que debuta amanhã, dia 4, entre o útil e o fútil, entre a credibilidade e a incredulidade, entre a excelência e a excedência. Há concertos imperdíveis, concertos razoáveis e concertos evitáveis. Mas o que realmente interessa é que existe. O que realmente interessa é que insiste. O que realmente interessa é que resiste. Não é fácil fazer melhor, sobretudo num campo sensorial intelectualmente tão exigente e labiríntico quanto este; contudo, não há como reprimir o Continue reading

“MM3”, de Metá Metá

capa meta meta mm3

Rigorosamente tudo o que aqui se faz ressoar se patenteia como instintiva tensão telúrica, impressionista energia primitiva, iconoclasta profundidade ancestral – tudo como numa intangível fantasia ritualística e epifânica. Ou seja, rigorosamente nada aqui é Continue reading

“American tunes”, de Allen Toussaint

capa allen toussaint american tunes

Da realidade como o avesso da fatalidade: o tom é jubilar – como na idiossincrasia de um funeral de New Orleans, casa imaterial de Allen Toussaint -, o tom é de jubilar vida imaterial e eterna nestas “American tunes” que firmou dias antes da sua morte. Desapressado, como o mais lhano e íntegro cursar do tempo, rigorosamente adverso ao Continue reading

“Can’t stand the pressure”, de Karl Hector & The Malcouns, e “From the deep”, de The Heliocentrics

capa karl hector and the malcouns cant stand the pressure

Da identidade, alteridade e metafísica do jazz: se o jazz é o som da surpresa, se o jazz é a mutação genética da matéria musical por excelência, se o jazz é impuro por natureza, de que vale cada purista que lhe agrilhoa o universo? O jazz é aquilo que cada ouvido souber que o jazz é. O jazz está isto, o jazz é Continue reading

“We be all africans”, de Idris Ackamoor e The Pyramids

capa pyramids we be all africans

Impremeditada e insuspeitamente, o saxofonista e compositor americano Idris Ackamoor converte-se num dos mais expressivos protagonistas da música de exceção deste ano. No primeiro de abril – parecia mentira, mas a sua clari/evidência sonora era assaz veraz… – cumpriu-se a chamada ao Continue reading

“Great spirit”, de William Parker e Raining On The Moon, e “William Parker – Stan’s hat flapping in the wind”, de Lisa Sokolov e Cooper-Moore

capa william parker great spirit

Quanto vale uma canção no jazz não conformista do século XXI? Como se ergue uma voz narrativa num contexto desafiante e crescentemente abstrato? Que potencial de ação estética resta aos cantores para lá do american songbook e de umas quantas derivações mais ou menos marginais? Na sua sagaz discrição, William Parker tem sido um raro e paradigmático respigador nesta matéria, ensaiando responder a estas dúvidas (e, pelo caminho, formulando uma miríade de questões análogas), conjugando uma identidade deveras singular para o cancioneiro que ousou medrar em Continue reading