“O último Elvis”, de Armando Bo

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Talvez seja mesmo verdade. Na ausência do corpo, talvez vivamos sob o signo do espírito de Elvis Presley. Ou, pelo menos, essa possibilidade assombra os seus imitadores profissionais. Armando Bo filma um deles num verdadeiro jogo de espelhos, perversamente documental: o seu ator principal, John McInerny, arquiteto de formação, dedica-se também a espetáculos e discos em que “duplica” Elvis. Em todo o caso, o eventual efeito biográfico termina aí: “O último Elvis” é o retrato de uma Argentina esquecida, encurralada entre o desencanto do quotidiano e a gloriosa transcendência do rei do rock’n’roll. Outros títulos do cinema argentino (incluindo a obra admirável de Lucrecia Martel) são sintoma deste obstinado realismo que, pelas vias mais diversas, não desiste de observar os silêncios e as dores de um frágil sistema de relações humanas. Como se o espectáculo que Elvis simboliza fosse a derradeira máscara de uma impossível redenção.

João Lopes

17 outubro [estreia nacional]
filme “O último Elvis” [“El último Elvis”], de Armando Bo, com John McInerny, Griselda Siciliani,…
Alambique, 2012 / 2013

 

texto no Sound + Vision [ 1 ]

texto no Sound + Vision [ 2 ]

 

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