Category Archives: Cinema

“O império do amor”, de Michael Winterbottom

michael winterbottom the look of love

Como filmar a teia de poder e dinheiro de Paul Raymond (1925 / 2008), primeiro como empresário de clubes de striptease, depois proprietário de um delirante número de imóveis em Londres, editor de revistas pornográficas e, por fim, um dos homens mais ricos na Grã-Bretanha da década de 90? Michael Winterbottom aposta num registo que, até certo ponto, faz lembrar o seu “24 hour party people” (2002), sobre a música de Manchester e os tempos heroicos da Factory Records: “fingir” que Continue reading

“O mordomo”, de Lee Daniels

lee daniels the butler

Depois de “Precious” (2007) e “The paperboy” (2012), Lee Daniels conta a história verídica de um homem, de raça negra, que serviu durante 34 anos na Casa Branca, tendo conhecido oito presidentes dos Estados Unidos. O filme assume-se como uma recriação dramática (desde logo, alterando o nome do protagonista) que, em qualquer caso, confirma e diversifica a lógica dos filmes anteriores: Daniels é um realista cuja obsessão pelo Continue reading

“Dark horse – Diários de um falhado”, de Todd Solondz

todd solondz dark horse

O título português deste “Dark horse” é quase uma redundância: será que nas histórias de Todd Solondz existe alguém que não seja um… falhado? Vogamos, de facto, no interior de um território cruel em que, num misto de sadismo cinéfilo e masoquismo moral, o autor se empenha em virar do avesso os Continue reading

“Viagem a Tóquio” e “O gosto do saké”, de Yasujirô Ozu

yasujiro ozu o gosto do sake

Decididamente, a noção de reposição, com toda a sua carga clássica de sedução – ou de sedução clássica –, volta a estar ativa no panorama do mercado cinematográfico. Este ano, depois do regresso, em cópias digitais restauradas, de títulos como “Lawrence da Arábia” (David Lean, 1962) e “Taxi driver” (Martin Scorsese, 1976), chegou a vez de dois filmes de Yasujirô Ozu: “Viagem a Tóquio” (1953) e “O gosto do saké” (1962), este um dos poucos que rodou a cores e o derradeiro da sua filmografia. Mais do que nunca, a possibilidade de ver tais obras primas, não no brilho equívoco dos Continue reading

“Noiva prometida”, de Rama Burshtein

rama burshtein noiva prometida

Será um detalhe “decorativo”, mas importa dizer que este é um filme que nos envolve, antes de tudo o mais, pela luz: descobrimos rostos e gestos iluminados por uma luz cristalina, sensual e, ao mesmo tempo, com algo de Continue reading

“O profundo mar azul”, de Terence Davies

capa terence davies the deep blue sea

Estranha ambivalência do dvd: redescobrimos o filme sublime que Terence Davies fez a partir de um texto teatral de Terence Rattingan e, subitamente, o deslumbramento da experiência leva-nos a compreender que a opção “stop” tem qualquer coisa de agressivo em relação ao filme. Não que eu queira atrair qualquer moralismo contra as muitas delícias do “cinema-em-casa”… Antes porque há filmes que nos impõem uma Continue reading

“Lacrimae rerum”, de Slavoj Zizek

capa slavoj zizek lacrimae rerum

De onde vêm as lágrimas das personagens que o cinema dá a ver? De olhos que, realmente, estão a chorar ou de atores que, de forma mais ou menos perversa, as simulam? Esta questão formulada pelo cineasta de “O decálogo” e “A dupla vida de Véronique”, Krzysztof Kieslowski, serve de mote a um livro fascinante sobre aquilo que o cinema mostra e aquilo que nele vemos… A mesma coisa? Nunca a mesma coisa, garante-nos Slavoj Zizek, quanto mais não seja porque Continue reading