“Lacrimae rerum”, de Slavoj Zizek

capa slavoj zizek lacrimae rerum

De onde vêm as lágrimas das personagens que o cinema dá a ver? De olhos que, realmente, estão a chorar ou de atores que, de forma mais ou menos perversa, as simulam? Esta questão formulada pelo cineasta de “O decálogo” e “A dupla vida de Véronique”, Krzysztof Kieslowski, serve de mote a um livro fascinante sobre aquilo que o cinema mostra e aquilo que nele vemos… A mesma coisa? Nunca a mesma coisa, garante-nos Slavoj Zizek, quanto mais não seja porque cada imagem, e cada som, nos chega contaminado por uma avalancha de outras imagens, outros sons, conceitos do visível e palavras sobre o invisível. O autor trabalha sobre filmografias em que essa pluralidade surge exponenciada até à mais drástica interrogação das fronteiras do facto cinematográfico: David Lynch e o assombramento figurativo; Andrei Tarkovski e os êxtases da transcendência; enfim, Alfred Hitchcock, mostrando que a transparência clássica nunca foi… transparente. No plano teórico, Zizek abre espaços fascinantes de reflexão, propondo arriscadas digressões filosóficas e psicanalíticas; em termos práticos, a sua escrita convoca-nos para a coabitação de todas as heranças clássicas com as manifestações mais básicas da nossa cultura popular. Em última análise, este é um livro sobre o espetador, a sua identidade instável e as potencialidades do seu pensamento.

João Lopes

livro “Lacrimae rerum”, de Slavoj Zizek
Orfeu Negro, reed. 2013

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