Monthly Archives: April 2012

“James e o pêssego gigante” e “Matilda”, de Roald Dahl e Quentin Blake

Dois clássicos imperdíveis de Roald Dahl, a redescobrir nestas recentes edições da Civilização: “James e o pêssego gigante” (originalmente publicado em 1961) e “Matilda” (datado de 1988, dois anos antes da morte de Dahl). O charme intemporal da escrita do autor de “Charlie e a fábrica de chocolate” (que, no ano passado, inaugurou esta coleção da Civilização) e a cuidadosa escolha dos protagonistas destas aventuras (mais ou menos reais ou totalmente inverosímeis) fazem de “James e o pêssego gigante” e de “Matilda” narrativas que nunca passam de moda: tanto James como Matilda são crianças, pequenas e solitárias, aparentemente vulneráveis, vítimas de Continue reading

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Matana Roberts ao vivo em Lisboa e no Porto

Matana Roberts – saxofonista, vocalista, compositora e artista conceptual – experimentou no ano passado, com a obra prima “Coin Coin, chapter one – Gens de couleur libres”, reequacionar profundamente os limites das imagens e das impressões reveladas pela notação musical e as potencialidades da sua ressonância emocional, num álbum dedicado à história da escrava liberta Marie Thérèse “Coincoin”, que fundou a primeira comunidade religiosa de negros livres. Mas o projeto de Matana é ainda mais ambicioso e épico do que isso, e “Gens de couleur libres” é apenas o primeiro capítulo (de 12 previstos) de uma missão que Continue reading

Indie Lisboa ’12

De 26 de abril a 6 de maio, a Culturgest, o Cinema São Jorge e o Cinema Londres serão palco de mais uma edição do Indie Lisboa. Este ano, o festival dará destaque às novas linguagens do cinema suíço, numa secção que lhe é especialmente dedicada: “Um bando à parte” faz alusão à Bande À Parte Films (um nome que, por sua vez, homenageia o mestre Jean-Luc Godard), produtora fundada por Ursula Meier (realizadora de “Home – Lar, doce lar”), cujos trabalhos o público português terá oportunidade de ver, pela primeira vez, numa retrospetiva transversal. Em paralelo, celebram-se os 50 anos do Festival de Viena com cinco décadas resumidas em cinco filmes, entre eles “O último de Inglaterra”, de Derek Jarman, e “Cuidado com essa puta sagrada”, de Rainer W. Fassbinder. Mas o cartaz faz-se igualmente de outros grandes nomes do cinema contemporâneo, com projeções das Continue reading

82.ª Feira do Livro de Lisboa


Celebrando ainda o Dia Mundial do Livro, que ontem se comemorou, começa hoje mais uma anuidade da já octogenária Feira do Livro de Lisboa. A edição deste ano – organizada, como habitualmente, pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros – contará com 206 pavilhões e estará no seu habitat natural, o Parque Eduardo VII, até ao dia 13 de maio. O Institut Franco-Portugais e o Goethe Institut organizam uma série de debates e palestras em torno dos temas “Trabalho editorial” e “Tradução”, nas quais marcarão presença alguns convidados internacionais. Para além destas tertúlias, a programação da feira contará com um painel de debates dedicado ao Brasil e aos “livros do ano em Portugal” nas áreas da ficção, não ficção e literatura infantojuvenil, e ainda com muitas atividades para crianças. A recordar que, à semelhança de anos anteriores, haverá as sempre Continue reading

“Pitanga”, de Mallu

Mallu Magalhães deixou cair o sobrenome e, ao terceiro álbum, assina simplesmente Mallu. “Pitanga” é profundamente fresco, vibrante e rico de tonalidades, como o fruto da pitangueira que cresce no estúdio onde a cantora gravou estas deliciosas canções produzidas por Marcelo Camelo, seu companheiro nas andanças musicais e amorosas. As afinidades com a música de Camelo são muitas. “Pitanga” dialoga de forma muito terna com “Toque dela”, o requintado trabalho a solo do ex-vocalista dos Los Hermanos editado no ano passado, mas confirmando a singularidade de Mallu Magalhães, agora com 19 anos, enquanto autora e multi-instrumentista. Mallu escreveu todos os temas do disco e reforça o seu estatuto de menina dos Continue reading

“Os cadernos de Pickwick”, de Charles Dickens


Se existem escritores universais, porque eternos, um deles é Charles Dickens (1812-1870). Outro, claro, é Mark Twain (1835-1910). A comparação é necessária porque permite especular sobre diversos motivos sem qualquer importância. Uns, talvez ancorados numa língua planetária, outros numa época histórica que punha em causa romantismos, ordens económicas, revoluções industriais. Uma época caraterizada também pela expansão consistente da imprensa, a que se poderá chamar “democratização da leitura”. Através de uma relação constante e jornalística, dir-se-ia cronista, com os seus vastos públicos, o trabalho afincado destes autores baseava-se na criação de um mundo de padrões sociais que eram o reflexo direto dos leitores, revendo nelas não os seus próprios tiques mas os dos vizinhos. Figuras que constituem um catálogo de personagens únicas, dentro de Continue reading

“Um método perigoso”, de David Cronenberg

Freud comparou a mente humana a um icebergue e abriu as portas para se perceber que há todo um mundo inconsciente subterrâneo, abaixo da superfície da consciência. No assombroso “Um método perigoso”, o mais recente filme de David Cronenberg estreado entre nós (“Cosmopolis”, o próximo, chega às salas já no próximo dia 31 de maio…), o realizador regressa aos primórdios da psicanálise e explora a sua “perigosa” via terapêutica de catarse. Põe em cena os fundadores Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender), e a sua singular paciente, Sabina Spielrein (Keira Knightley), doente maníaca, histérica e com uma acentuada parafilia resultante de perturbações da sua sexualidade na infância. Spielrein (magnificamente interpretada por Knightley, capaz de um milagre de imaterialidade dramática no modo excruciante como vibra e se Continue reading