Monthly Archives: January 2012

“As regras da casa da sidra”, de John Irving

John Irving, vencedor do National Book Award em 1980, com “O estranho mundo de Garp”, reafirma-se como verdadeiro mestre contador de histórias. Adaptado ao cinema, nº 1 na New York Times Bestseller List, “As regras da casa da sidra” – editado originalmente em 1985 e agora em tradução portuguesa pela Civilização – é mais do que uma reflexão que assume como base a controversa temática Continue reading

“Meia noite em Paris”, de Woody Allen


A 41ª longa metragem dirigida por Woody Allen encontra o seu enredo na Cidade Luz: Rachel McAdams (Inez) e Owen Wilson (Gil) são um casal de noivos americanos de visita à capital francesa. Irreversivelmente conquistado pelo romantismo nostálgico e pela máquina do tempo simbólica que ali experimenta – que o transporta primeiramente para os anos 20 e, depois, para a belle époque -, e sentindo a incompreensão de Inez face a esta sua epifania existencial, Gil acaba por pôr a relação e toda a sua vida nos Estados Unidos em perspetiva, optando pela permanência naquele tempo e lugar onde realmente se sente em plena comunhão com os seus sonhos. Uma singela mas muito sólida comédia romântica, dotada de um fôlego que não abunda na obra recente de Allen, e particularmente assinalável num Continue reading

“How the thing sings”, de Bill Orcutt

O guitarrista norteamericano Bill Orcutt faz música para quem procura constantemente o som da surpresa, não para ouvidos que apenas queiram mais do mesmo, não para quem se satisfaz somente com o que já conhece, com o seguro ou com o previsível. Esta é música de arte de vanguarda, de desafio, de extremo, de exceção. Assumidamente hard listening. Hipótese de confluência desconstrucionista do improv, do punk e dos blues mais primários, o recente álbum “How the thing sings” (tal como o anterior, o impoluto e histórico “A new way to pay old debts”, de 2009) apresenta música de extremo envolvimento físico com Continue reading