“Meia noite em Paris”, de Woody Allen


A 41ª longa metragem dirigida por Woody Allen encontra o seu enredo na Cidade Luz: Rachel McAdams (Inez) e Owen Wilson (Gil) são um casal de noivos americanos de visita à capital francesa. Irreversivelmente conquistado pelo romantismo nostálgico e pela máquina do tempo simbólica que ali experimenta – que o transporta primeiramente para os anos 20 e, depois, para a belle époque -, e sentindo a incompreensão de Inez face a esta sua epifania existencial, Gil acaba por pôr a relação e toda a sua vida nos Estados Unidos em perspetiva, optando pela permanência naquele tempo e lugar onde realmente se sente em plena comunhão com os seus sonhos. Uma singela mas muito sólida comédia romântica, dotada de um fôlego que não abunda na obra recente de Allen, e particularmente assinalável num dos vetores que o realizador mais tem tentado burilar: ser igualmente estimulante para a sensibilidade de públicos muito distintos, do mainstream às margens (críticos incluídos…). Um belíssimo canto cinéfilo ao modernismo e à cidade, cuja inspiração parece ter vindo dos grandes mestres que convoca para os encontros noturnos com Gil: Cole Porter, Josephine Baker, F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Man Ray, Luis Buñuel, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin ou Edgar Degas. Depois de se deixar enfeitiçar de um modo totalmente fulgurante com Londres no marcante “Match point” (2005) e com Barcelona no sub-valorizado “Vicky Cristina Barcelona” (2008), Woody Allen volta a provar neste seu romance autoral com Paris que as mudanças de ar podem ser altamente benéficas para a fluência da sua respiração criativa.

dvd “Meia noite em Paris” [“Midnight in Paris”], de Woody Allen, com Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard,…
Zon, 2011

 

João Eduardo Ferreira:
Note-se que “Meia noite em Paris” é a comédia mais contemplativa de Woody Allen. Todos os diálogos são digeridos sem nunca lhes perdemos as migalhas cenográficas, a arquitetura dos enquadramentos e o romantismo das personagens. Um bilhete postal tão banal quanto podem ser a saudade de Paris e a nostalgia de Jacques Tati.

texto no Sound + Vision

 

site de Woody Allen

facebook de Woody Allen

 

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