Category Archives: Cinema

“Lovelace”, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman

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A história da protagonista de “Garganta funda” (1972) é, necessariamente, uma saga cinematográfica. Porque a sua protagonista, Linda Lovelace (1949 / 2002), se transformou num símbolo da reconversão comercial da produção pornográfica ao longo da década de 70? Sem dúvida. Mas também porque a dimensão mitológica que o Continue reading →

Ciclo Ingmar Bergman

ingmar bergman

A realização, em várias cidades do país, de um ciclo com 17 filmes de Ingmar Bergman (1918 / 2007) envolve algo mais do que a possibilidade de ver ou rever uma coleção de preciosidades que vão desde os clássicos consagrados em todas as histórias do cinema — “Mónica e o desejo” (1953), “Morangos silvestres” (1957) ou “A máscara” (1966) — até raridades absolutas, inicialmente concebidas para televisão, como “Ritual” (1969) ou “Depois do ensaio” (1984). Estamos mesmo para além da Continue reading →

“12 anos escravo”, de Steve McQueen

steve mcqueen 12 years a slave

Na esmagadora maioria das notícias sobre “12 anos escravo”, não se refere o facto de Brad Pitt, além de ter um pequeno e significativo papel, ser também um dos produtores do filme. A omissão é sintomática de um fenómeno muito típico do nosso espaço mediático: tudo o que se desvia um pouco das categorias formatadas da “informação” é, por princípio, ignorado (por vezes intensamente recalcado). Podemos dizer que o filme de Steve McQueen se constrói, justamente, a partir de uma discussão metódica da formatação da história da escravatura. Desde logo, no plano histórico, expondo uma Continue reading →

“O passado”, de Asghar Farhadi

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E se o lugar a que pertencemos fosse uma pura construção mental? A hipótese envolve, por certo, uma sedução infantil, mas também uma promessa de pânico. O iraniano Asghar Farhadi é um retratista de tal hipótese, dos desejos e pensamentos que a sua formulação pode envolver. Em “Uma separação” (2011), deparávamos com o desgaste cruel do mapa conjugal. Agora, o tema persiste, de novo através de um caso de divórcio, mas com um Continue reading →

“Temporário 12”, de Destin Daniel Cretton

destin daniel cretton short term 12

Sabemos que a noção de cinema independente americano adquiriu uma fundamental ambivalência, muitas vezes desafiando as fronteiras mais tradicionais entre os grandes estúdios e as produções “alternativas” (que, não poucas vezes, surgem apoiadas pelos… grandes estúdios). Este “Short term 12” poderá, talvez, definir-se como uma reminiscência da mais primitiva atitude Continue reading →

“Tal pai, tal filho”, de Hirokazu Kore-eda

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Talvez possamos definir a dramaturgia dos filmes do japonês Hirokazu Kore-eda como um subtil trabalho de criação de novas formas de verosimilhança. Recorde-se, por exemplo, a odisseia das crianças de “O meu maior desejo” (2011): acreditam que se desejarem que os pais separados voltem a viver juntos no preciso momento em que contemplam o cruzamento de dois comboios de alta velocidade, então o seu desejo será concretizado… Que faz, então, Kore-eda? Filma esse ritual à letra, sem distanciamento paternalista nem humor forçado. Algo de semelhante acontece em “Tal pai, tal filho”. É certo que a notícia de que os filhos de dois casais foram Continue reading →

“A propósito de Llewyn Davis”, de Ethan Coen e Joel Coen

ethan coen joel coen inside llewyn davis

O título original, “Inside Llewyn Davis”, envolve uma fundamental duplicidade: em primeiro lugar, designa um objeto concreto, isto é, serve também de título ao LP editado pelo protagonista (sendo a tentativa de receber os respetivos dividendos um dos motores da ação); depois, sugere uma interioridade que o filme vai expor de Continue reading →