Monthly Archives: August 2012

“Cavalo de guerra”, de Steven Spielberg

Em vésperas da I Guerra Mundial, Albert Narracott (Jeremy Irvine) assume o hercúleo intento de domesticar um selvagem mas notável cavalo puro sangue. É nos campos idílicos do condado de Devon, no sudoeste da Inglaterra, que Steven Spielberg dá o mote para uma peça tocante, pejada de lirismo cinematográfico, sobre a aventura épica de um jovem rapaz e do seu cavalo sob um severo pano de fundo bélico. Separados pelo conflito, Albert e esse extraordinário animal que é Joey ultrapassam as provações da guerra em Continue reading

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“Solo piano II”, de Chilly Gonzales

Em 2004, o onirismo solene de 16 paisagens sonoras para um piano solitário revelava o génio criador de Gonzales na composição erudita. Melodias de uma ponderada delicadeza e graciosa evocação impressionista (com Erik Satie e Maurice Ravel a surgirem naturalmente no horizonte mental…), anunciavam em “Solo piano” que os já firmados dotes musicais do canadiano se alcançavam a domínios ainda mais latos. Multi-instrumentista, compositor, arranjador, produtor, pianista autodidata, rapper, entertainer, Chilly Gonzales é apenas uma das Continue reading

“A outra face da Lua – Escritos sobre o Japão”, de Claude Lévi-Strauss

“Revejo-a ainda: uma ilustração de Hiroshige, muito esbatida e sem margens, que representava mulheres a passearem sob grandes pinheiros, em frente ao mar”. São reflexões de assumido encanto, emoção e reconhecimento pela cultura nipónica as que encontramos nesta compilação póstuma de escritos do antropólogo Claude Lévi-Strauss. Entre conferências, palestras e uma entrevista, a presente coleção inclui textos inéditos, muitos deles até agora disponíveis apenas em publicações da terra do sol nascente, como o prefácio à última edição japonesa da obra “Tristes trópicos”, intitulado “Uma Tóquio desconhecida”. Tratam-se de considerações pautadas por um recorrente fascínio genesíaco pela civilização do gosto, do sentimento, da sensibilidade e da harmonia. Lévi-Strauss sustenta que o Japão oferece ao mundo um Continue reading

“Tropicália lixo lógico”, de Tom Zé

Remanescente praticante do tropicalismo, Tom Zé faz no recentemente parido “Tropicália lixo lógico” uma revisitação dos fundamentos éticos, estéticos, históricos, políticos, sociais e até neurocientíficos do movimento metacultural que, em 1968, firmou, a par de, entre outros, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat, Torquato Neto, Gal Costa e Os Mutantes (os revolucionários de serviço no mítico “Tropicalia ou panis et circensis”, editado nesse ano). Depois das obras primas “Estudando o samba” (1976), “Estudando o pagode – Na opereta segregamulher e amor” (2005) e do magnífico “Estudando a bossa – Nordeste Plaza” (2008), o músico de Irará, Bahia, erige sobre as origens da Tropicália uma insigne panóplia de mensagens relativas às Continue reading

“O futuro”, de Miranda July

A multifacetada artista norteamericana Miranda July já havia apresentado, em 2005, uma singularíssima primeira longa metragem – “Eu, tu e todos os que conhecemos” traçava uma marca autoral com claras apostas num diálogo entre o cinema independente e expressões estéticas afetas, como a performance ou o video, e antevia uma linguagem particular, versada na ingenuidade, na candura e numa visão que ora pendia para o idílio, ora para uma total perdição do mundo. “O futuro”, estreado no ano passado no Festival Sundance, confirma que July cria, também cinematograficamente, um universo próprio de interrogação. Assumindo a Continue reading

Festival EDP Paredes de Coura 2012

Durante a semana que hoje se inicia, o mítico festival do Minho regressa à Praia Fluvial do Taboão para celebrar umas memoráveis duas décadas de existência com um cartaz tão eclético quanto distinto. Cerca de meia centena de atuações vão ter lugar entre a noite de hoje e a da próxima sexta feira, com Continue reading

“4:44, último dia na Terra”, de Abel Ferrara

Um cenário habitado por uma caoticidade de imagens. É pela experiência mediática de um boémio casal de Nova Iorque que Abel Ferrara faz figurar, neste espantoso “4:44, último dia na Terra”, as potenciais expressões da humanidade perante a inevitabilidade do fim do mundo. Sabe-se que o planeta colapsará, às 4:44 da madrugada, numa explosão de luz – e sabe-se também que, como consequência de uma tragédia ecológica (o enfraquecimento da camada de ozono), não haverá forma de escapar. Pelos interstícios das horas que o antecedem, Ferrara faz desfilar a Continue reading