“Solo piano II”, de Chilly Gonzales

Em 2004, o onirismo solene de 16 paisagens sonoras para um piano solitário revelava o génio criador de Gonzales na composição erudita. Melodias de uma ponderada delicadeza e graciosa evocação impressionista (com Erik Satie e Maurice Ravel a surgirem naturalmente no horizonte mental…), anunciavam em “Solo piano” que os já firmados dotes musicais do canadiano se alcançavam a domínios ainda mais latos. Multi-instrumentista, compositor, arranjador, produtor, pianista autodidata, rapper, entertainer, Chilly Gonzales é apenas uma das personagens de Jason Charles Beck. E neste sucedâneo, o show man de intentos quase divinos (como o de executar um recital de 27 horas, garantindo assim a falaciosa eternidade no Guinness Book of Records…) reforça que é um magistral escultor de estruturas melódicas, ao elaborar peças de uma imaculada riqueza expressiva que conjugam reminiscências da escola romântica europeia e do jazz que conduziu à génese da modernidade nascida em Gershwin. Relembrar Chopin, por exemplo, seria, no entanto, redutor, numa obra que marca tão claramente a sua tamanha singularidade com apurados rasgos de improvisação e inusitados exercícios minimais (atente-se sobretudo nas belíssimas “Escher”, “Evolving doors” ou “Othello”). Gravado em apenas dez dias, na já inevitável Paris, “Solo piano II” é uma primorosa coleção de íntimas composições para piano, em que a harmonia parece acolher o espaço modelar da quietude.

disco “Solo piano II”, de Chilly Gonzales
Gentle Threat / import. Flur, 2012

 

site de Chilly Gonzales

facebook de Chilly Gonzales

 

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