Alkantara Festival 2012

De 23 de maio a 10 de junho, a capital acolhe mais uma edição do bienal Alkantara Festival, o mais transversal e exigente programa temporário de artes performativas celebrado em Portugal. Com 21 espetáculos (em 19 dias) que exploram o cruzamento entre o universo concetual, artístico e coreográfico da dança, do teatro e da performance, o Alkantara é um manifesto cultural em defesa de todas as possibilidades estéticas contemporâneas que se delineiam por entre estas fronteiras. Propondo um encontro e um diálogo entre expressões de origem nacional e internacional, a edição deste ano procura dar continuidade a uma tendência de consciencialização social e política previamente explanada em 2010, com a singularidade de que os trabalhos apresentados este ano se revestirão de uma perspetiva mais sombria, reflexo dos “sinais dos tempos”, conforme anunciado por Thomas Walgrave, atual programador. Nesta medida, os diversos momentos que compõem a agenda do Alkantara Festival 2012 concentram-se essencialmente numa grande temática: a crise dos modelos identitário, cultural, social e económico em torno do indivíduo. São sobretudo propostas artísticas de questionamento, com uma forte componente de reflexão e de recolhimento introspetivo. Exemplos disso mesmo podem ser encontrados em “Big bang” e no teatro laboratorial (entre o real, o artificial e o mutante) de Philippe Quesne e do seu Vivarium Studio; na colaboração de Meg Stuart, vulto decisivo no campo da dança contemporânea, e de Philipp Gehmacher com o videasta Vladimir Miller na performance “The fault lines”, para uma abordagem da fisicalidade e vulnerabilidade do corpo; na outra atuação do coreógrafo Gehmacher, “In their name”, que o (e nos) conduz de regresso aos primórdios da denominação das coisas, da representação e da memória; ou na performance de Ana Borralho e João Galante, que dão a ver, no fim da tarde da Praia das Avencas, a sua “Linha do horizonte”. Por seu lado, em “Cheval”, Antoine Defoort e Julien Fournet põem em cena uma performance de “energia desenfreada” e de “música improvável”. Da programação do festival, destaque-se também a dança contemporânea norteafricana, com “Madame Plaza”, de Bouchra Ouizguen, o espetáculo “(M)imosa”, concebido pelo coreógrafo Trajal Harrell a partir da interseção do conceito de voguing e da dança pós moderna da Judson Church dos anos 60, e a estreia mundial de “Mademoiselle Else”, pela companhia belga tg STAN. Anne Teresa De Keersmaeker encerra com chave de ouro este festival, com o díptico “En atendant” e “Cesena”, peças produzidas entre 2010 e 2011, em absoluto meio natural, e cuja apresentação se insere no contexto do ciclo da Bienal Artista na Cidade, que assinala neste ano o trabalho da coreógrafa belga com uma série de exibições por várias salas de Lisboa. Se em “En atendant”, Keersmaeker procura refletir sobre a morte e o caráter perecível da matéria volátil, tomando como matéria de trabalho inicial as partituras medievais da Ars Subtilior, “Cesena” é o anúncio de um novo dia, a que a artista dá corpo com os bailarinos da companhia Rosas e a música de Björn Schmelzer e do ensemble Graindelavoix.

23 maio >  10 junho
festival Alkantara 2012
Biblioteca Nacional, Lisboa
Centro Cultural de Belém, Lisboa
Culturgest, Lisboa
Maria Matos Teatro Municipal, Lisboa
Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
Museu da Água da EPAL / Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa
Museu da Electricidade, Lisboa
Praia das Avencas, Parede
São Luiz Teatro Municipal, Lisboa
Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

 

site do Alkantara Festival

facebook do Alkantara Festival

 

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