Category Archives: Teatro

“The select (The sun also rises)”, de Elevator Repair Service, na Culturgest, Lisboa

Depois de terem apresentado, na mesma sala lisboeta, espetáculos a partir de “O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald (em 2007), e de “O som e a fúria”, de William Faulkner (em 2009), os novaiorquinos Elevator Repair Service regressam à Culturgest com “The select (The sun also rises)”, a peça que encerra a sua tríade de adaptações do grande romance norteamericano dos anos 20. Esta criação tem por base o texto de culto de Continue reading

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Ciclo Foguetes Maravilha em Lisboa

O coletivo brasileiro Foguetes Maravilha regressa a Portugal para a apresentação de três espetáculos em duas salas da capital: “Ninguém falou que seria fácil” (no Teatro Maria Matos), “2histórias” e “Ele precisa começar” (ambos no Espaço Alkantara). A companhia de Felipe Rocha e Alex Cassal preconiza um teatro feito de Continue reading

“Nora”, de tg STAN, no Maria Matos Teatro Municipal, Lisboa

Depois da recente atuação no Alkantara Festival com “Mademoiselle Else” , do escritor austríaco Arthur Schnitzler, a companhia belga tg STAN regressa a Portugal com um clássico do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. “Nora” parte de “A doll’s house”, peça em três atos de 1879 na qual o autor escandinavo põe a tónica na ostracização das mulheres na sociedade burguesa do século XIX. Uma denúncia das Continue reading

“O sonho da razão”, do Teatro da Cornucópia

De metáforas e exercícios semânticos se tece a nova produção do Teatro da Cornucópia. Com um título que invoca a gravura de Goya “El sueño de la rázon produce monstruos”, “O sonho da razão” é uma colagem de textos do iluminismo francês, em que – a partir de Voltaire, Voisenon, Sade e Diderot – Luís Miguel Cintra entretém uma singular urdidura em torno dos tópicos universais das Luzes. Pondo em confronto ciência e religião, um cético homem às portas da morte, um padre, um médico, uma mademoiselle e, finalmente, uma Continue reading

“Os lusíadas”, de António Fonseca

Quando, há cerca de dois anos, o ator e encenador António Fonseca declamou os cinco primeiros cantos d’ “Os lusíadas”, no Teatro Meridional, a hercúlea e insigne epopeia que anunciava era semelhante àqueloutra escrita por Camões: em 10 de junho de 2012, pelos 440 anos da edição do poema épico camoniano, recitar o texto integral da obra. Agora que chegamos a essa efeméride, António Fonseca, ator maior do teatro nacional contemporâneo, leva à Capital Europeia da Cultura um feito heroico e uma Continue reading

“A arte da performance”, de RoseLee Goldberg

Para uma fundamentação da performance enquanto expressão artística independente, RoseLee Goldberg propõe nesta obra, originalmente publicada em 1979, a sua primeira grande abordagem histórica. Um objeto em constante atualização (pela mão da própria autora), “A arte da performance” conhece agora uma segunda e muito completa edição em Portugal pela irrepreensível Orfeu Negro, e integra um novo capítulo dedicado às recentes reconfigurações da performance na viragem para o século XXI. “Arte transgressora”, sempre se firmou como primordial manifestação de rutura e desconstrução das categorias tradicionais da arte – “vanguarda das vanguardas”. Daqui parte Goldberg para uma leitura que toma a performance como corpus de análise e Continue reading

“Cadernos de Serafino Gubbio, operador de câmara”, de Luigi Pirandello

Quando os irmãos Lumière filmaram a saída dos operários da usina, muitos foram aqueles que se fascinaram pela representação da imagem em movimento. Outros houve, porém, que temeram esse espetro fantasmático (tal como acontecera aquando do aparecimento da fotografia – e relembre-se, a este propósito, a atitude de veemente condenação de Baudelaire). Aquilo que Luigi Pirandello explora nesta crónica romanceada de 1916 não é tanto esta relação de temor com a imagem cinematográfica, mas com a própria indústria, que entretanto se automatizava para um procedimento cada vez mais mecânico e que tendia a dispensar o serviço do homem que nela trabalhava. Serafino Gubbio é um operador de câmara amargurado com o suplício crescente de ser apenas uma mão que Continue reading