Category Archives: Literatura

“A invenção de Hugo”, de Martin Scorsese

A primeira incursão do realizador Martin Scorsese no universo das potencialidades 3d acontece neste recente “Hugo”, longa metragem baseada no livro infantojuvenil “A invenção de Hugo Cabret” (2007), de Brian Selznick. Com guião de John Logan e a presença de atores cumpridores – como os jovens Asa Butterfield e Chloë Grace Moretz, o cómico Sasha Baron Cohen, os experientes Jude Law e Christopher Lee, e ainda o magnífico Ben Kingsley -, este é um filme sobre filmes, um filme sobre sonhos e um tributo às origens do cinema. A história da sétima arte e, em particular, a história de um dos seus mais ilustres e mágicos fundadores, Georges Méliès, é aqui recontada em narrativa bem condensada e didática: como protagonista, um orfão dickensiano, que se movimenta em cenários que recordam Tim Burton e Steven Spielberg. Sublinhe-se a viciante presença de Continue reading

“Azul 25 linhas”, de João Eduardo Ferreira

Entre conversas com Gonçalo M. Tavares, Manuel Halpern e Firmino Bernardo, hoje, na livraria Pó dos Livros, Lisboa, às 6 da tarde, ficaremos a saber mais sobre João Eduardo Ferreira, engenheiro silvicultor, funcionário público, crítico, escritor, que aí lançará este “Azul 25 linhas”. Depois da trilogia “Corpos estranhos” (editada em 2007 e constituída pelos volumes “I. Na quinta”, “II. Na biblioteca” e “III. Na lagoa”), este número 90 da coleção Literatralhas Nobelizáveis, da editora de livros de cordel Apenas, é o quarto livro publicado pelo autor. “Poder-se-ia chamar ‘diário’. Mas isto não é um diário”, escreve João Eduardo Ferreira na nota prévia. Todavia, é a expressão “diário 1”, devidamente italinizada saliente-se, que figura na capa, ou melhor, na portuguesíssima e Continue reading

“Fernando Pessoa – Plural como o universo”, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Esta exposição foi a primeira sobre um autor português no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (com a conceção da Fundação Roberto Marinho, em 2010), passou também pelo Rio de Janeiro (Centro Cultural Correios, em 2011) e pode ser vista a partir de amanhã, até 30 de abril, na sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Contabilizados os visitantes (cerca de 400 mil), parecem de facto muitos, atestação de sucesso para uma exposição tão curta e sintética, embora Continue reading

“Mistérios de Lisboa”, de Raúl Ruiz

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Lemos o livro e vimos o filme. O livro escreveu-o Camilo Castelo Branco em 1854. O filme, estreado a 21 de outubro de 2010 (também apresentado em formato de série televisiva em 2011), produziu-o Paulo Branco e realizou-o o prolífico e enigmático chileno Raúl Ruiz (1941-2011). O realizador é um visitante experiente do romance oitocentista, de Balzac a Proust, apaixonado por Continue reading

“As bacantes”, de José Celso, no São Luiz Teatro Municipal, Lisboa

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Uma “tragicomediorgia”, ou seja, uma “ópera de carnaval”. Aquilo que José Celso, vulto maior do teatro brasileiro moderno, faz com o texto clássico de Eurípides, é uma monumental interpretação contemporânea que cruza a tragédia grega sobre a morte de Penteu, rei de Tebas, por se recusar a adorar o deus Baco e proibir todas as Continue reading

“Ilustrarte ’12” no Museu da Eletricidade, Lisboa

Sendo a ilustração provavelmente o campo criativo onde se registaram na última década as mais entusiasmantes evoluções no pálido cenário cultural português, é algo natural que a “Ilustrarte” – a louvável bienal dedicada à ilustração para a infância que em 2003 começou discretamente a fazer história na cidade do Barreiro, e que agora está solidamente instalada em Lisboa – chegue a esta sua 5ª edição com um imenso sucesso artístico e mediático garantido logo no momento da abertura, que hoje acontece. A concurso estiveram Continue reading

“Voo noturno / Correio do sul”, de Antoine de Saint-Exupéry


Com um arguto prefácio de André Gide, numa tradução fluída de Mário Dias Correia, a Casa das Letras editou recentemente num só cuidado volume duas emblemáticas obras de Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944): “Voo noturno” (1931) e “Correio do sul” (1929). Acusando a influência de Gide e de Nietzsche, de Conrad e de Verne, no seu brevíssimo e poético “Voo noturno” Saint-Exupéry constrói a complexa figura do Continue reading