Category Archives: Literatura

“As regras da casa da sidra”, de John Irving

John Irving, vencedor do National Book Award em 1980, com “O estranho mundo de Garp”, reafirma-se como verdadeiro mestre contador de histórias. Adaptado ao cinema, nº 1 na New York Times Bestseller List, “As regras da casa da sidra” – editado originalmente em 1985 e agora em tradução portuguesa pela Civilização – é mais do que uma reflexão que assume como base a controversa temática Continue reading

“Feliz olhar novo”, de Carlos Drummond de Andrade

O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais…
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.
O ano que passou foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal.
O próximo ano não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim…
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento – me lembro sempre de um lance que eu adoro: Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade!
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular… ou… pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Feliz olhar novo!!!

 

[Carlos Drummond de Andrade]

“Short movies”, de Gonçalo M. Tavares

No primeiro volume de “Short movies”, o 31º caderno do autor, aparecem cerca de 70 guiões para histórias incompletas. A numeração na escrita é importante, mas o seu movimento é mais ainda. A solução do grande plano ou do plano fechado está na linha do olhar de quem o lê e não no gesto iniciático de quem o escreveu. Algumas das notas para estes movimentos perpétuos surgiram nos recantos de jornais. Como diria Gonçalo M. Tavares, esses cantos são agora recontados. Continue reading

“Poesia completa”, de Manoel de Barros


Coletânea organizada cronologicamente, desde o seu primeiro livro publicado, “Poemas concebidos sem pecado” (1937), até “Menino do mato” (2010), passando por obras centrais da sua escrita, como “Compêndio para uso dos pássaros” (1960) ou “Gramática expositiva do chão” (1966), e incluindo a poesia para crianças que escreveu na última década e meia. O título “Poesia completa” é algo falacioso – não se apresenta aqui a integral da sua produção poética, ainda que a seleção seja assinalavelmente extensa e que todos os livros estejam (em maiores ou menores parcelas) aqui contidos. Mas o título “Poesia completa” é também muito verdadeiro – porque, nas suas equlibradas doses de surrealismo e realismo, as palavras de Manoel de Barros são completas como muito poucas que a língua portuguesa praticou neste último século. Ou seja, um título bem adequado à poesia de quem resumiu que “90% do que escrevo é invenção. Só 10% é mentira”. Manoel de Barros, um dos nomes decisivos do século XX literário brasileiro, nasceu em 19 de dezembro de 1916. Celebra hoje o seu 95º aniversário. “Atualmente mora em Campo Grande. É advogado, fazendeiro e poeta”, refere a nota biográfica que abre esta edição. É lá e assim que continua a desenhar as suas luminosas palavras sobre a “desutilidade” das coisas mundanas, sobre o que de primitivo ainda pode restar no seu quotidiano. Parabéns, Manoel. Continue reading

“Oinc! – A história do Príncipe-Porco”, de Isabel Minhós Martins e Paula Rego

Assente em seis litografias da série “Príncipe-Porco” (2006), de Paula Rego, e no conto popular italiano que lhes esteve na origem (aqui moldado a partir da versão “Re Crin” de Straparola, contida nas suas “Piacevole notti”, de 1557), a escritora de livros infantojuvenis Isabel Minhós Martins concebe este “Oinc! – A história do Príncipe-Porco” com um equilíbrio exemplar entre o imaginário perturbante e violento da matéria de base e a expressão simultaneamente dramática, irónica e terna que o seu público alvo reclama. Resultante de uma encomenda da Casa das Histórias Paula Rego, esta é outra obra essencial do catálogo da Orfeu Mini e da assinalável colheita de 2011 da literatura para crianças concebida em Portugal. Continue reading

Presentes com futuro, Natal 2011

Escolhemos cinco discos, cinco dvd’s e cinco livros, todos recentes, todos notáveis, todos distintos, como potenciais presentes de Natal com matéria criativa e ideológica para durar por muitos anos na memória afetiva de quem os receber. Continue reading