Category Archives: Cinema

“Camille Claudel, 1915”, de Bruno Dumont

bruno dumont camille claudel 1915

Um retrato da escultora Camille Claudel (1864 / 1943) e da sua doença mental? Uma evocação do seu internamento, desde 1913 até à morte? Nada disso. Este não é um telefilme “biográfico”, mas um objeto de celebração dos poderes realistas do cinema. Desterrada num asilo, nos arredores de Avignon, Camille vive uma solidão tão Continue reading →

“Até à eternidade”, de Fred Zinnemann

fred zinnemann from here to eternity

Para muitos espetadores, haverá qualquer coisa de anedótico no facto de o célebre beijo de Burt Lancaster e Deborah Kerr, envolvidos pelas ondas do Pacífico, ter sido objeto de controvérsia em 1953, porventura mesmo de algum escândalo. De facto, importa dizer a esses espetadores que ao “liberalismo” do seu olhar falta uma Continue reading →

“À procura de Sugar Man”, de Malik Bendjelloul

malik bendjelloul searching for sugar man

Natural de Detroit (nascido em 1942), Sixto Rodriguez cumpriu uma bizarra carreira de cantor folk: gravou dois álbuns, “Cold fact” (1970) e “Coming from reality” (1971), e… desapareceu. Ou quase: isto porque se tornou um imenso e insólito caso de sucesso na África do Sul, a ponto de as metáforas políticas das suas canções encontrarem eco nos Continue reading →

“The paperboy – Um rapaz do sul”, de Lee Daniels

lee daniels the paperboy

Desde que o seu romance “Paris trout” foi adaptado por Stephen Gyllenhaal (num filme de 1991, com Dennis Hopper), Peter Dexter transformou-se numa espécie de marginal dentro do sistema. Dir-se-ia que os seus projetos mantêm uma relação de incómoda ambiguidade com as tradições do thriller americano. Exemplo revelador: esse grande filme falhado que é “Mulholland Falls” (1996), escrito por Dexter e dirigido por Lee Tamahori. Digamos que “The paperboy” supera, definitivamente, tais problemas. Inspirado noutro dos seus romances, com Dexter a partilhar com Lee Daniels a autoria do argumento, o filme consegue uma proeza francamente inesperada: encenar um Continue reading →

“Para lá das colinas”, de Cristian Mungiu

cristian mungiu dupa dealuri

Quando Cristian Mungiu ganhou a Palma de Ouro de Cannes, em 2007, com “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, compreendemos que as convulsões da sociedade romena estavam a gerar um cinema de consciência crítica (social, justamente), em que as tensões individual/coletivo desempenhavam um papel determinante. Aliás, antes mesmo desse triunfo, através de obras importantes de Cristi Puiu (“A morte do Sr. Lazarescu”, 2005) ou Corneliu Porumboiu (“12:08, a este de Bucareste”, 2006), começamos a compreender que essa “nova vaga” da Roménia se enraizava numa invulgar vontade de realismo. “Para lá das colinas” ajuda a Continue reading →

“Bestas do sul selvagem”, de Benh Zeitlin

capa benh zeitlin bestas do sul selvagem

Há um estranho acréscimo simbólico na redescoberta de “Bestas do sul selvagem” em dvd. Dir-se-ia que o filme possui a agilidade de uma reportagem, nessa medida não podendo deixar de evocar alguns modelos televisivos, ao mesmo tempo que se escapa, momento a momento, cena a cena, para um Continue reading →

“A lista de Schindler”, de Steven Spielberg

capa steven spielberg schindlers list

Num dos extras do dvd de “A lista de Schindler” (1993), agora retomado na edição em blu-ray, Steven Spielberg refere como motivação decisiva para a concretização deste filme a dupla descoberta que envolveu: o reencontro com as memórias do Holocausto acabou por funcionar também como uma viagem muito particular e, por certo, muito íntima do Continue reading →