“Efeitos secundários”, de Steven Soderbergh

steven soderbergh side effects

Há muito tempo, quase todos os filmes de Steven Soderbergh têm direção fotográfica de Peter Andrews. Que esse seja apenas um pseudónimo do próprio Soderbergh, eis um dado revelador da sua espantosa versatilidade. Em todo o caso, tal “esquizofrenia” não se esgota na sua dimensão técnica, podendo ser encarada também como insólito sintoma de um frondoso universo sempre atento às dualidades do comportamento humano e suas imagens (“sexo, mentiras e video”, se quisermos aplicar a metáfora proposta, em 1989, pelo título da sua primeira e emblemática longa metragem). Agora, Soderbergh delicia-se mesmo na criação de uma estrutura de ficções que, quais bonequinhas russas, se vão desnudando num jogo de ilusórias duplicações: “Efeitos secundários” começa como um melodrama, transforma-se num thriller sobre os interesses da indústria farmacêutica, desembocando num desconcertante retrato da vulnerabilidade das relações humanas… Entramos num filme como este experimentando a ironia bizarra dessas relações. Com o avançar dos acontecimentos, compreendemos que cada nuance mais ou menos anedótica pode desembocar numa paisagem eminentemente trágica – Soderbergh é, afinal, um retratista metódico de todas as formas de solidão. E um dos efeitos secundários da solidão é a mentira. Com ou sem video.

7 março [estreia nacional]
filme “Efeitos secundários” [“Side effects”], de Steven Soderbergh, com Jude Law, Rooney Mara, Catherine Zeta-Jones, Channing Tatum,…
Zon, 2013

João Lopes

 

texto no Sound + Vision

 

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