“O gato das botas”, de Chris Miller

A personagem é um clássico de Charles Perrault conhecida pela inteligência e astúcia com que fez senhor o Marquês de Carabás. Na versão que Chris Miller adaptou recentemente para o cinema, é em modo Zorro, de heroico espadachim que tem na honra e na amizade os seus valores primaciais, que nos voltamos a reencontrar com este Gato das Botas que já conhecíamos da saga “Shrek” (cujo último dos filmes foi precisamente realizado por Miller). Partindo de um encontro improvável com o Humpty Dumpty de Lewis Carroll, desenrola-se uma original narrativa em torno da fábula “João e o pé de feijão”, numa lúdica e subtil variação de passagens da literatura infantojuvenil que propõe um renovado imaginário para estas histórias canónicas. Altruísta e fiel, o destemido felino procura superar uma traição do passado para ajudar o inseparável amigo de infância a encontrar os feijões mágicos e chegar ao palácio da Gansa dos Ovos de Ouro. Nesta complexa odisseia, a ajuda da bela e intrépida Kitty Patas Fofas será determinante para concretizar o sonho de Humpty Dumpty e recuperar a maculada dignidade que o Gato havia perdido anos antes na aldeia onde ambos cresceram. A mais delirante e desafiante longa metragem de animação estreada por cá em 2011 tem Antonio Banderas a dar voz ao hispânico ás dos duelos e Salma Hayek ao elemento feminino deste trio, e chega agora ao suporte dvd, numa edição que inclui igualmente uma curta aventura inédita do protagonista (“Os três diablos”) e, entre outros extras, um documentário com o elenco de atores e alguns outtakes.

dvd “O gato das botas” [“Puss in boots”], de Chris Miller, com as vozes de Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis,…
Paramount / Zon, 2011 / 2012

 

João Lopes:
Mais de três séculos passados sobre a publicação do conto de Perrault, “O gato das botas” converteu-se ao digital. Transfiguração insólita, mas também insolitamente natural. O filme de Chris Miller recupera o felino (que fala espanhol) do universo de “Shrek”, conferindo-lhe agora o protagonismo de uma fábula que sabe resistir ao mero exibicionismo tecnológico. Paradoxo porventura ainda mais insólito: o 3d resulta muito bem e, na quarta dimensão (a do som), a voz de Antonio Banderas possui a agilidade felina que se impõe. “Miau”, como diria a DreamWorks.

 

site de “O gato das botas”

facebook de “O gato das botas”

 

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