Josef Albers e Jorge Varanda na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, recebe a primeira exposição em território português de um dos mais influentes pintores, pedagogos e teóricos da arte do último século. Josef Albers nasceu na Alemanha e foi professor na Bauhaus. Quando o regime nazi ordenou o encerramento da escola de Weimar (em 1933), o artista partiu para os Estados Unidos onde começou a lecionar no Black Mountain College e, a partir dos anos 50, em Yale. É nos trabalhos produzidos entre esse período e o final da sua vida, em 1976, que se centra a mostra “Josef Albers na América”. Pintor que preferia a espátula ao pincel, Albers põe na tela a honestidade que o caraterizava e que se refletia numa relação de proximidade com os materiais e num esforço de exploração da matriz artesanal e manual da pintura. Moderno pelas formas simplificadas e geometricamente delineadas que utiliza, ora monocromáticas, ora vibrantes, cria texturas poéticas e infinitos sentidos discursivos que interpelam o olhar (“I want to open eyes”, costumava dizer). Imprime movimento e cinética através do contraste de tonalidades quentes (muito influenciado pela cultura mexicana), num período de clara afirmação e depuração estética e autoral, que precede, no espaço expositivo do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, a famosa série “Homenagens ao quadrado”, na qual Albers intensifica, tanto pela prolificidade de trabalhos, como pela exploração cromática, as possibilidades do suporte pictórico. Com alguns inéditos, a mostra de Albers (que esteve patente no Centro Georges Pompidou, em Paris, entre outros locais) encerra com um conjunto de obras de inspiração expressionista alemã (de Bernardo Marques, Mário Eloy e Amadeo de Souza-Cardoso), que dialoga com a outra exposição que igualmente hoje se inaugura no mesmo local: a primeira retrospetiva póstuma da obra de Jorge Varanda. Artista que se manteve sempre à margem dos grandes circuitos, Varanda dedicou-se à banda desenhada, à ilustração, ao video, às artes gráficas e à pintura, sendo, em “Jorge Varanda – Pequeno-almoço sobre cartolina”, revelado um universo de extrema complexidade concetual e material. Com produções dos anos 80 e 90, é apresentada uma recolha de trabalhos em folha de cartolina, pranchas de madeira, maquetas, cubos e puzzles com figuras, biombos, relevos articulados (com perspetiva e profundidade), filmes em super 8, animação digital e instalação analógica, que denotam a transversalidade de um autor multifacetado. Em todos eles perpassa uma temática comum: a ironia do quotidiano, a estranheza da alteridade, a hostilidade no comportamento do outro, a casa como lugar de recolhimento, a rua como espaço de ameaça. A janela, o espelho, o reflexo ou a vitrina denunciam um lado dramático daquele que vê e que se esconde.

18 maio > 1 julho
exposição “Josef Albers na América”
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

18 maio > 2 setembro
exposição “Jorge Varanda – Pequeno-almoço sobre cartolina”
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

 

site da Josef Albers Foundation

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