Maurice Sendak [1928 / 2012]


Imaginou o sítio dos mais grotescos e adoráveis monstros do mundo. Maurice Sendak, um dos mais marcantes e iconoclastas escritores e ilustradores infantojuvenis do século XX, faleceu hoje, aos 83 anos. Nasceu em Brooklyn, em 1928, no seio de uma família judia, e a experiência do Holocausto, que o assolou de forma terrível, afetou o seu modo de ver e sentir a realidade. Sendak, contrariando as tendências moralistas, não retratou a inocência das crianças, mas revelou a sua crueldade e o lado mais negro da infância, traçando assim uma linha inovadora na literatura e na ilustração juvenil. Com “Onde vivem os monstros” (“Where the wild things are”, de 1963), editado em Portugal pela Kalandraka, explorou no pequeno rei Max e na sua relação com um bizarro e excêntrico grupo de monstros o nosso mundo de fantasias e medos – uma obra que lhe granjeou o respeito internacional (e também condenações severas da parte dos mais conservadores) e que em 2009, pela mão do realizador Spike Jonze, foi adaptado ao cinema, com a coprodução do próprio Maurice Sendak e com o título português “O sítio das coisas selvagens”. Sempre provocador e controverso, fez questão de nunca seguir tradições e normas ao longo da sua obra, o que não o impediu (talvez por isso mesmo…) de ser adorado e lido por miúdos e graúdos de todo o mundo. “In the night kitchen” (1970), “Seven little monsters” (1977) e “Outside over there” (1981) são outros dos seus livros mais conhecidos, que o revelaram como autor e ilustrador de excecional sensibilidade para conjugar o texto e a imagem. Desenhou para outros escritores, para autores clássicos (como os irmãos Grimm) e criou o guarda-roupa de alguns espetáculos de ópera e ballet (entre eles “The nutcraker”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, e “Hänsel und Gretel”, de Engelbert Humperdinck). “Bumble-ardy” foi o último livro publicado em vida, e preparava agora “My brother’s book”, um poema ilustrado dedicado ao irmão, que sairá em fevereiro do próximo ano. Foi com o filme “Fantasia”, de Walt Disney, que Sendak decidiu, ainda em pequeno, tornar-se ilustrador. Recusava-se a mentir às crianças, mas queria, sobretudo, que todas tivessem uma oportunidade de superar os seus medos, como ele a teve. Uma oportunidade de vestir o fato de monstro, e fazer-se rei de todos eles.

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