Tag Archives: Magnus Broo

“Head above water, feet out of the fire“, de The Resonance Ensemble

capa ken vandermark the resonance ensemble head above water

Situado numa inexorável posição de vanguarda e busca pela excelência das formas, o trabalho do compositor de jazz americano Ken Vandermark interpela-se aqui numa busca marcadamente erudita pelo improviso das estruturas musicais, depois de inúmeros projetos mais telúricos desenvolvidos no último par de anos, como os grupos Made To Break, DKV ou Platform 1. O The Resonance Ensemble, nascido de uma troca de ideias com Marek Winiarski – guitarrista, membro dos polacos Bajm e proprietário da crescentemente relevante editora Not Two – é um compêndio de vozes instrumentais que acrescenta dinâmica e vigor ao Continue reading

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“Takes off”, de Platform 1

capa platform 1 takes off

O incansável Ken Vandermark apresentou no início do ano passado um novo quinteto que parece mais uma vez acentuar que o elevado grau de exigência relativamente aos músicos de que se rodeia é intrínseco à sua excelência artística. “Takes off”, gravado em dois recitais que aconteceram no Salão Brasil, Coimbra, em maio de 2011, e agora lançado pela Clean Feed, dá nome à estreia discográfica de Platform 1. A preponderância dos sopros confere às obras um cunho quase fanfárrico, com uma sonoridade de Continue reading

The Thing e Atomic ao vivo na Culturgest, Lisboa

São duas formações centrais nessa periferia cada vez mais relevante para o free jazz atual que é a Escandinávia, e partilham a espantosa coesão instintiva da secção rítmica norueguesa composta pelo contrabaixo de Ingebrigt Håker Flaten e pela bateria de Paal Nilssen-Love. The Thing e Atomic, que neste próximo domingo, 12 de fevereiro, merecem a honra de subir ao Grande Auditório da Culturgest, Lisboa, nasceram em 2000, reunindo igualmente outros talentos que, nestes ou noutros contextos, viriam a confirmar na última década a imensa vitalidade das suas “vozes” instrumentais: Fredrik Ljungkvist, Magnus Broo e Håvard Wiik, nos Atomic; e o explosivo saxofonista sueco Mats Gustafsson, nos The Thing. Se as lições aprendidas nos manuais decisivos do free e de linguagens improvisadas adjacentes são a matéria prima dos dois grupos, nos The Thing a energia do rock assume um papel igualmente central, condensado em sintomas que vão muito para além das versões que tocam com alguma regularidade de temas de PJ Harvey, The Sonics, The White Stripes ou Yeah Yeah Yeahs. Os Atomic, por sua vez, optam por seguir uma via mais sintonizada com as tradições do hard bop, do free e do improv norteamericano e europeu, sem jamais abdicar de Continue reading