“Fruitvale Station – A última paragem”, de Ryan Coogler

ryan coogler fruitvale station

O poder do “fait divers” reside no seu saldo realista: por mais que a sua difusão possa envolver a banalidade do pitoresco, fica sempre um resto que o liga a algo vivido, mais ou menos cru, indissociável de gente de carne e osso. Neste caso, esse resto transporta a frieza da tragédia: Oscar Grant foi morto durante uma rusga efetuada pela polícia de São Francisco, na Fruitvale Station, na noite de passagem do ano 2008/9. Não estamos, entenda-se, perante um “filme-inquérito” (o que já não seria pouco, tendo em conta a repercussão emocional e simbólica do evento nos Estados Unidos). Confirmando a vitalidade dessa pulsão realista que tem marcado diversos exemplos da mais recente produção americana — lembremos o caso, bem diferente, mas muito significativo, de “Nebraska”, de Alexander Payne —, Ryan Coogler estrutura o seu filme como uma demonstração sem solução: através das muitas atribulações da existência de Grant (o tráfico de drogas, o emprego perdido, uma família instável), o filme expõe um angustiado desejo de viver de que o “fait divers” é, afinal, o absurdo contraponto. No tempo das sagas dos “super-heróis”, algum do mais interessante cinema americano não abdica desta colagem ao quotidiano, mantendo-se fiel à dimensão social que, em boa verdade, de Griffith a Scorsese, nunca menosprezou.

João Lopes

13 março [estreia nacional]
filme “Fruitvale Station – A última paragem” [“Fruitvale Station”], de Ryan Coogler, com Michael B. Jordan, Melonie Diaz,…
Vendetta Filmes, 2013 / 2014

 

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