Monthly Archives: February 2014

“Um quente agosto”, de John Wells

john wells august osage county

Há uma herança de Tennessee Williams que persiste no cinema americano. Ou melhor: que continua a influenciar zonas importantes do teatro americano, ecoando, por vezes, em território cinematográfico. “Um quente agosto”, baseado na peça com que Tracy Letts ganhou o prémio Pulitzer de drama (2008), constitui um belo exemplo de tal dinâmica, por certo reforçada pelo facto de o próprio autor ser o responsável da adaptação. Daí, creio, a necessidade de introduzir algum relativismo na consagração do Continue reading

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“Nebraska”, de Alexander Payne

alexander payne nebraska

Há uma espécie de fantasma audiovisual que perpassa na nossa visão deste filme. Que é como quem diz: algo nos leva a perguntar o que motivou Alexander Payne a rodar “Nebraska” a preto e branco? A pergunta tem, por certo, uma resposta cinéfila que envolve as memórias de um Continue reading

“Morning phase”, de Beck

capa beck morning phase

“Morning phase” é um hino a doutrinas diversas, a sonoridades de origens divergentes, que formam elos improváveis numa cadeia de sons que representa o nosso século. Dá um novo fôlego à palavra “clássico”, num misto de influências e de um sem número de referências palpáveis, inventariáveis no Continue reading

“The Monuments Men – Os caçadores de tesouros”, de George Clooney

george clooney the monuments men

Infelizmente, a “fama” mediática é uma qualidade (?) que tende a diminuir as qualidades de alguns dos que exalta. George Clooney, por exemplo: a sua obra como realizador continua a ser mal conhecida ou simplesmente arrumada como descartável. De facto, não haverá muitos que, como ele, persistam na exploração dos Continue reading

“Her – Uma história de amor”, de Spike Jonze

spike jonze her

“O amor é dar o que não se tem a alguém que não o quer” — esta formulação de Jacques Lacan poderia servir de subtítulo ao filme de Spike Jonze. Porque, de facto, por uma vez, o subtítulo português não é abusivo, apontando para o cerne da questão. A saber: a desproporção material e afetiva que se Continue reading

“Um segredo do passado”, de Jason Reitman

jason reitman labor day

O triângulo do romance de Joyce Maynard (“Labor Day”) em que Jason Reitman se baseou nasce de uma dinâmica dramática com algo de surreal, envolvendo um homem fugido da justiça (Josh Brolin) que se insinua na casa de uma mulher divorciada (Kate Winslet) que, por sua vez, vive com o filho de 13 anos (Gattlin Griffith). No sentido mais genuíno do termo, é um triângulo amoroso, mas não apenas porque as relações entre os Continue reading

“Quando tudo está perdido”, de J.C. Chandor

j c chandor all is lost

Com apenas duas longas-metragens, pode dizer-se que J. C. Chandor tem já uma essencial linha de força a definir o seu universo criativo: o espaço da ação, física ou conceptual, revela-se potencialmente infinito. Assim, em “Margin call” (“O dia antes do fim”, 2011), Chandor encenava as atribulações iniciais da atual crise financeira, fazendo-nos pressentir a assustadora paisagem virtual da circulação do dinheiro. Agora, com este “All is lost”, consegue refazer uma matriz minimalista das histórias de Continue reading