“Terra prometida”, de Gus Van Sant

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Não é, certamente, por acaso que o título do novo filme de Gus Van Sant evoca uma dimensão utópica, indissociavelmente religiosa. E também não terá nada de indiferente o facto de essa terra imaginada, ou imaginária, coincidir com uma América que quase deixámos de ver no cinema de Hollywood (e que, de John Ford a Elia Kazan, povoa as grandes ficções clássicas). Dito de outro modo: os representantes de uma grande empresa de gás natural (Matt Damon e Frances McDormand) mergulham no espaço de uma ruralidade que é também uma paisagem de um cinema que já quase só existe nas nossas memórias mais ou menos nostálgicas. Van Sant não filma, aqui, os adolescentes à deriva que povoam títulos tão admiráveis como “Elephant” (2003) ou “Paranoid Park” (2007). Em todo o caso, não creio que isso justifique qualquer menorização de “Terra prometida”. Afinal, redescobrimos uma visão cinematográfica ainda e sempre marcada pela sensação amarga de que já não temos promessas por resgatar nem terras para consumar os seus ideais. Por um contagiante paradoxo, este é também um filme de subtis retratos psicológicos, desembocando numa entidade temática que os clássicos nunca menosprezaram: a consciência moral de cada indivíduo. Daí que se justifique a evocação de um outro modelo clássico, dos mais esquecidos: Otto Preminger. Van Sant, pelo menos, não esquece.

28 março [estreia nacional]
filme “Terra prometida” [“Promised land”], de Gus Van Sant, com Matt Damon, Frances McDormand,…
Zon, 2012 / 2013

João Lopes

 

texto no Sound + Vision

 

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