“O tigre na rua e outros poemas”, antologia de poesia ilustrada por Serge Bloch

“O poema está lá, mas para o ver é preciso um microscópio”. Poema micróbio, poema absurdo, poema para um sorriso, riso e gargalhada. Poder-se-ia “Pedir com bons modos” – como, aliás, se sugere nesta nova e exemplar peça da Bruaá – tudo isso. Mas esse “tudo isso” já lá está… Sob o signo de Daniil Harms (cuja escrita de pendor vagamente infantojuvenil já havia sido reunida de modo paradigmático, e também pela Bruaá, em “Esqueci-me como se chama”, do ano passado) e da sua sugestiva aparição de um tigre na rua, é agora apresentada uma insigne coletânea de poesia humorística, de (pro)vocação tendencialmente nonsense e vanguardista, que faz viajar todo aquele que a lê pelas mais distintas regiões criativas já exploradas pelo cérebro humano, numa seleção que nos traz palavras de Cuba, Argentina, Venezuela, Rússia, Irlanda, Canadá ou França, com autores como Roger McGough, Jacques Prévert, Spike Milligan, Shel Silverstein, Roland Topor, Laura Elizabeth Richards e Jacques Roubaud figurando ao lado de Maria Elena Walsh, David Chericián, Javier Villafañe, Richard Edwards ou do ilustrador Marc Johns, entre outros. Com alguns poemas publicados pela primeira vez em Portugal, a minuciosa e cuidada tradução da responsabilidade de Miguel Gouveia – antologista e editor da Bruaá – prima pela expressividade impressa a estas histórias surreais, amiúde bizarras, de hipopótamos que gostam de brincar aos submarinos, gansos que andam de sapatilhas ou elefantes que falam ao telefone. O texto harmoniza-se com as ilustrações de iluminada riqueza de Serge Bloch, aqui também poeta para “Uma velha máquina de escrever”. Uma edição (extraordinariamente) original, repleta de animais de traços finos, penas, chapéus, guarda chuvas e banheiras de um grafismo algo retro, onde se podem percorrer as carteiras de uma “Aula de gramática”, a atarefada “Agenda de um fantasma” ou perguntar “Porque é que os arco-íris não entram em casa”… Pensada para crianças e adultos, esta antologia lúdica convida a uma leitura sussurrada ou recitada, assumidamente livre e cacofónica, como a desse “sítio barulhento (…) donde vem o Ning Nang Ning Nang Nong!”

livro “O tigre na rua e outros poemas”, de Marc Johns, Shel Silverstein, Daniil Harms, Jacques Prévert, etc… [texto] e Serge Bloch [ilustrações]
Bruaá, 2012

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