“Mount Wittenberg orca”, de Dirty Projectors + Björk

Os Dirty Projectors são um dos mais infalíveis bastiões de defesa do sentido de aventura e risco aplicados à música pop de anos recentes. Contando com o apoio inicial da National Geographic Society, para cujos projetos de investigação e proteção marítima revertem os lucros das vendas, este é o espantoso resultado do encontro criativo do coletivo com Björk Gudmundsdóttir, sua assumida admiradora, em redor de uma história sobre uma família de orcas que habita junto às montanhas californianas anunciadas no título. Originalmente editado há cerca de um ano e meio apenas em formato digital, “Mount Wittenberg orca” merece agora uma oportunidade discográfica real graças à Domino, editora do último álbum dos Dirty Projectors, o magnífico “Bitte orca” (origem da descoberta e encantamento da cantora, talvez por associar a avassaladora liberdade formal aí (in)contida aos momentos que geraram as mais louváveis virtudes da sua carreira, ou seja, alguns dos feitos alcançados com os seus Sugarcubes há pouco mais de 20 anos…). Tratando-se de uma suite escrita com enfâse nas harmonias vocais, David Longstreth – o visionário compositor e vocalista dos novaiorquinos, bem como génio de serviço à sessão – teve a sensatez de dar à islandesa protagonismo apenas num par de canções, juntando-a nas restantes ao sempre desafiante coro que o acompanha, formado pelas vozes singulares de Angel Deradoorian, Amber Coffman e Haley Dekle. Um EP que apresenta sete temas em pouco mais de 21 minutos, mas que vale em ideias sonoras o que tantos artistas não conseguem valer em carreiras de várias décadas.

disco “Mount Wittenberg orca”, de Dirty Projectors + Björk
Domino / Edel, 2011

 

João Eduardo Ferreira:
Os Dirty Projectors foram ao jardim e encontraram Björk. Esse jardim passou a nomear-se “Mount Wittenberg orca”. Das sete faixas-canteiros recende o aroma, feliz embora improvável, da hibridação entre o coro feminino Cramol com os Ink Spots. Os jardineiros reunidos, Virginia Astley e Heinrich Hertz, decidem que o canto pode assumir todas as cores dos seus fenótipos. As sementes manipuladas representam tanto a solidez da polifonia profana como a Meteora vocação de uma Grécia instável.

 

site de “Mount Wittenberg orca”

site The Ocean, da National Geographic

site dos Dirty Projectors

facebook dos Dirty Projectors

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