Category Archives: Cinema

Passatempo “Amor”, de Michael Haneke

capa michael haneke amor

O Doodles tem para oferecer, com a amável colaboração da distribuidora Leopardo Filmes, três exemplares do dvd do filme “Amor”, de Michael Haneke, à venda desde há poucos dias. Para receber um destes prémios, basta que Continue reading

“Não”, de Pablo Larraín

pablo larrain nao

No centro dos filmes de Pablo Larraín encontramos alguns frágeis anti-heróis: em “Tony Manero”, um homem que tem uma fixação na personagem de John Travolta em “Febre de sábado à noite”; em “Post mortem”, um empregado da morgue de Santiago do Chile; e, agora, em “Não”, um empregado de uma agência publicitária. Para todos eles, a história da ditadura de Pinochet não é um Continue reading

“Amor”, de Michael Haneke

capa michael haneke amor

A certa altura, no “making of” que integra a edição em dvd de “Amor”, vemos Michael Haneke interromper o registo de um plano para corrigir a posição de uma janela entreaberta… De tão simples e determinado, o gesto não pode deixar de revelar o rigor de toda uma mise en scène.  Por isso mesmo, o impacto do filme não pode ser reduzido à gravidade do Continue reading

“O futuro”, de Miranda July

capa miranda july o futuro

Em fevereiro de 2011, no Festival de Berlim, onde “O futuro” estava em competição, tive oportunidade de participar num encontro de Miranda July com alguns jornalistas. No final da conversa, pedi-lhe que citasse um filme visto recentemente e que, de alguma maneira, a tivesse impressionado. Depois de uma ligeira hesitação, respondeu-me: Continue reading

“Adeus, minha rainha”, de Benoît Jacquot

capa benoit jacquot adeus minha rainha

Desde os tempos heroicos de “L’assassin musicien” (1976) e “Les enfants du placard” (1977), Benoît Jacquot tem sido um cineasta com uma carreira construída nas margens da grande produção francesa: trabalha sobre géneros populares, muitas vezes com grandes estrelas, mas faz um cinema de ambígua identidade estética. Assim acontece, uma vez mais, neste tão ignorado e tão subtil “Les adieux à la reine”. O ponto de partida – Versalhes, os faustos da corte, a eclosão da Revolução – é típico de uma tradicional “reconstituição” histórica, mais ou menos faustosa, mas a dramaturgia escapa a Continue reading

“Fausto”, de Aleksandr Sokurov

aleksandr sokurov faust 2

Em 1972, Eric Rohmer concluiu a sua tese sobre “Fausto” (1926), de Friedrich W. Murnau, intitulando-a: “A organização do espaço no ‘Fausto’ de Murnau”. O título envolve uma sugestão eminentemente pedagógica: a história do homem que vendeu a alma ao Diabo desafia todas as coordenadas do espaço, todos os territórios da narrativa. Que é como quem diz: obriga-nos a rever e reavaliar a suposta consistência do mundo e o modo como, dentro dele, estabelecemos as relações a que chamamos humanas. Quase 90 anos depois de Murnau, e cerca de dois séculos depois de Goethe, Sokurov faz um filme em que Fausto e o seu companheiro diabólico atravessam um Continue reading

“Regra de silêncio”, de Robert Redford

robert redford the company you keep

Esquecemo-nos quase sempre que a nossa definição do presente começa nos modos de apropriação do passado. A cultura televisiva dominante fundamenta-se mesmo nesse esquecimento: o passado seria apenas uma coleção de datas e nomes, lugares e eventos, quer dizer, uma “reconstituição”. Daí a grande questão estética e política: nada se reconstitui, tudo é narrativa do presente (e para o presente). No novo filme de Robert Redford, o reconhecimento de tal drama condensa-se na Continue reading