“Adeus, minha rainha”, de Benoît Jacquot

capa benoit jacquot adeus minha rainha

Desde os tempos heroicos de “L’assassin musicien” (1976) e “Les enfants du placard” (1977), Benoît Jacquot tem sido um cineasta com uma carreira construída nas margens da grande produção francesa: trabalha sobre géneros populares, muitas vezes com grandes estrelas, mas faz um cinema de ambígua identidade estética. Assim acontece, uma vez mais, neste tão ignorado e tão subtil “Les adieux à la reine”. O ponto de partida – Versalhes, os faustos da corte, a eclosão da Revolução – é típico de uma tradicional “reconstituição” histórica, mais ou menos faustosa, mas a dramaturgia escapa a qualquer determinismo psicológico ou narrativo. Escolhendo uma das aias (Léa Seydoux) de Maria Antonieta (Diane Kruger) como pivô da sua história, Jacquot elabora uma crónica intimista de um momento de convulsão em que os laços de poder ou fidelidade se reconfiguram através de uma contundente oposição entre vida e morte. Em tempos também eles heroicos ou, pelo menos, mais abertos à diversidade do cinema, este teria sido um grande acontecimento nas salas escuras. Agora, a alternativa do dvd, mesmo reconhecendo as suas maravilhas, envolve-nos numa amarga nostalgia.

João Lopes

dvd “Adeus, minha rainha” [“Les adieux à la reine”], de Benoît Jacquot, com Diane Kruger, Léa Seydoux, Virginie Ledoyen,…
Leopardo Filmes, 2011 / 2013

 

texto no Doodles

 

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