“Contos”, de Thomas Mann

capa thomas mann contos

Simplesmente intitulada “Contos”, esta antologia de Thomas Mann (1875 / 1955, nobelizado em 1929), impressiona quer pela heterogeneidade, quer pelas camadas complexas de referências, alongando-nos para outras leituras e para outros autores, para também outras épocas e obras do autor. As personagens e acontecimentos descritos com o talento inigualável de Mann não se esquecem nem se arrumam facilmente. A própria entidade narradora, coincidente com o autor, sem dúvida, lamenta-se junto do narratário, confessando que o desgosta ter de deixar de lado momentos que, não fossem as contingências de espaço, valeria a pena descrever. Escritos entre 1896 e 1925, num período duríssimo na história de uma Europa dilacerada entre duas guerras, nestes contos encontramos embriões de obras mais longas, elementos claramente autobiográficos, múltiplas intertextualidades, as paixões estéticas e filosóficas (Wagner, Tolstói, Dürer, Nietzsche ou Schopenhauer) e temas-chave, como as eternas dialéticas vida/morte ou arte/vida, na escrita musical de um autor exímio na arte da observação, parodística até, quão densa e surpreendente, na análise e descrição de micro-momentos, na inclusão de detalhes, insignificantes na sua aparência, avassaladores nas suas dimensões e consequências.

Paula Pina

livro “Contos”, de Thomas Mann
Bertrand Editora, 2013

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