“The master – O mentor”, de Paul Thomas Anderson

paul thomas anderson the master

O novo filme de Paul Thomas Anderson, “The master”, coloca em cena um homem que combateu na II Guerra Mundial, envolvido com o dirigente de um culto religioso. O título correto seria, obviamente, “O mestre”: em cena está uma relação de fascínio e dependência, atração e repulsa, expondo uma odisseia individual que espelha o estado de orfandade simbólica de todo um país. Solidão talvez seja a palavra nuclear para caraterizar este filme sem equivalente no cinema americano contemporâneo: descobrimos que cada personagem, independentemente do poder que aplica ou recebe, existe no interior de uma cápsula de ilusões que torna todo e qualquer desejo de comunicação uma prova de força que nenhum gesto, nenhuma palavra parece poder conter ou apaziguar. Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman são geniais na interpretação dessa tragédia humana, demasiado humana, como genial é Amy Adams, atravessando o filme como se fosse o derradeiro anjo errante de um planeta desgastado, desse modo dando a ver uma espécie de avesso simbólico da redenção maternal que vem da herança incontornável do cinema de John Ford. Paul Thomas Anderson possui a magia dos grandes narradores: quanto mais mergulham nos dados concretos da história, mais nos fazem sentir que qualquer narrativa histórica não passa de uma configuração transitória da nossa desconhecida e sempre comovente vulnerabilidade. Para a história destes nossos dias de perplexidade e angústia, lembremos que o realizador não vai ganhar nenhum Oscar porque, pura e simplesmente, não está nomeado… As ações humanas, decididamente, carecem da perfeição dos anjos.

7 fevereiro [estreia nacional]
filme “The master – O mentor” [“The master”], de Paul Thomas Anderson, com Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams,…
Pris, 2012 / 2013

João Lopes

 

texto no Sound + Vision [ 1 ]

texto no Sound + Vision [ 2 ]

texto no Sound + Vision [ 3 ]

 

One response to ““The master – O mentor”, de Paul Thomas Anderson

  1. Grandes representações, de facto!

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