Category Archives: Cinema

“Ruby Sparks – Uma mulher de sonho”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

A segunda longa metragem da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris (realizadores de “Uma família à beira de um ataque de nervos”, de 2006) é uma comédia com laivos de drama sobre uma onírica fantasia tornada realidade. Calvin Weir-Fields (Paul Dano), um jovem escritor prodígio, está em plena crise literária, não conseguindo Continue reading →

“Selvagens”, de Oliver Stone

O regresso de Oliver Stone ao grande ecrã, com a estreia de “Selvagens”, pauta-se por um registo vincadamente pragmático, cru, e não por isso menos moderado na forma como gere os desígnios da ruína psicológica. Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch) exploram uma das melhores e mais ambicionadas plantações de marijuana do mundo, na Califórnia. Após recusarem uma proposta de negócio com um grande cartel de droga mexicano, Stone põe em cena uma Continue reading →

“Cavalo de guerra”, de Steven Spielberg

Em vésperas da I Guerra Mundial, Albert Narracott (Jeremy Irvine) assume o hercúleo intento de domesticar um selvagem mas notável cavalo puro sangue. É nos campos idílicos do condado de Devon, no sudoeste da Inglaterra, que Steven Spielberg dá o mote para uma peça tocante, pejada de lirismo cinematográfico, sobre a aventura épica de um jovem rapaz e do seu cavalo sob um severo pano de fundo bélico. Separados pelo conflito, Albert e esse extraordinário animal que é Joey ultrapassam as provações da guerra em Continue reading →

“O futuro”, de Miranda July

A multifacetada artista norteamericana Miranda July já havia apresentado, em 2005, uma singularíssima primeira longa metragem – “Eu, tu e todos os que conhecemos” traçava uma marca autoral com claras apostas num diálogo entre o cinema independente e expressões estéticas afetas, como a performance ou o video, e antevia uma linguagem particular, versada na ingenuidade, na candura e numa visão que ora pendia para o idílio, ora para uma total perdição do mundo. “O futuro”, estreado no ano passado no Festival Sundance, confirma que July cria, também cinematograficamente, um universo próprio de interrogação. Assumindo a Continue reading →

“4:44, último dia na Terra”, de Abel Ferrara

Um cenário habitado por uma caoticidade de imagens. É pela experiência mediática de um boémio casal de Nova Iorque que Abel Ferrara faz figurar, neste espantoso “4:44, último dia na Terra”, as potenciais expressões da humanidade perante a inevitabilidade do fim do mundo. Sabe-se que o planeta colapsará, às 4:44 da madrugada, numa explosão de luz – e sabe-se também que, como consequência de uma tragédia ecológica (o enfraquecimento da camada de ozono), não haverá forma de escapar. Pelos interstícios das horas que o antecedem, Ferrara faz desfilar a Continue reading →

“O meu maior desejo”, de Hirokazu Kore-eda

No título original em japonês, a nova produção de Hirokazu Kore-eda leva o nome de “Kiseki”, ou seja, “milagre”. Este é, efetivamente, um filme sobre milagres, ou sobre os sonhos alimentados pela esperança de um milagre, sentidos e idealizados por aqueles que os vivem da forma mais genuína possível: as crianças. Narra-se aqui a tocante história de Continue reading →

“Contágio”, de Steven Soderbergh

Na era das sociedades em rede, em que qualquer difusão pode ser imediata e imparável, Steven Soderbergh trouxe-nos um thriller sobre uma fulminante epidemia viral. A partir de Hong Kong, marca-se o movimento acelerado, em marcha global, de um surto altamente infecioso e mortífero, que em poucos dias atinge colossais números de propagação. Sob a ameaça e o risco do contágio, Soderbergh ergue uma realidade marcada pelo medo e pelo descontrolo, não se escusando a retratar um Continue reading →