“Jimmy P. – Realidade e sonho”, de Arnaud Desplechin

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A expressão “realidade e sonho” vem do título do estudo do etnólogo e psicanalista Georges Devereux, publicado em 1951, sobre o índio Jimmy Picard (“Reality and dream – Psychoterapy of a plains indian”). É um título que resume a complexidade dos traumas de Picard, ligados à sua experiência nos combates da II Guerra Mundial. Mas é também uma expressão que se adequa ao labor paradoxal do cinema de Arnaud Desplechin. Nesta perspetiva, o isolamento conceptual deste filme como uma “experiência americana”, distante do romanesco francês de “Reis e rainha” (2004) ou “Um conto de natal” (2008), parece-me francamente inadequado. Desplechin continua a encenar os laços que sustentam o fator humano e, acima de tudo, a sua esplendorosa ambivalência. A relação que se edifica entre Devereux (Mathieu Amalric) e Picard (Benicio del Toro) pressupõe uma procura de verdade que, não poucas vezes, parece deslizar para um universo de assombramentos onde, estranhamente ou não, o entendimento dos protagonistas continua a ser possível. Enfim, na sua delicadeza poética, o filme desemboca numa perplexidade muito psicanalítica: afinal, onde está o real, nas planícies da realidade ou na névoa dos sonhos?

João Lopes

5 dezembro [estreia nacional]
filme “Jimmy P. – Realidade e sonho” [“Jimmy P. – Psychotherapy of a plains indian”], de Arnaud Desplechin, com Benicio del Toro, Mathieu Amalric, Gina McKee,…
Zon, 2013

 

texto no Sound + Vision

 

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