“No nevoeiro”, de Sergei Loznitsa

sergei loznitsa no nevoeiro

Efeito, por certo, da sua experiência como documentarista, Sergei Loznitsa filma como se a sua câmara vivesse numa ansiedade controlada: aquilo que acontece está ferido pela vertigem material, e também pelo apelo simbólico, de algo que não se vai repetir. Em “No nevoeiro”, o efeito dessa urgência à flor da pele torna-se tanto mais perturbante quanto estamos perante um objeto que não pode deixar de nos remeter para a tradição, frondosa e distante, do filme de guerra (e, mais especificamente, do filme sobre a II Guerra Mundial). O mais impressionante nasce da lógica comunitária daquilo que nos é dado ver: Loznitsa filma a Bielorrúsia, ocupada pelas tropas alemãs, em 1942, como uma comunidade fechada na sua altivez, agora abalada pelas marcas dos que a ela não pertencem. Este é, por isso, um filme de ética paradoxal: a guerra convoca as mais nobres energias dos humanos, ao mesmo tempo que nada do que vai acontecer pode resgatar o horror e o seu grito vazio. O realismo é, provavelmente, a contemplação metódica de tudo isso – tem sido, pelo menos, em algum do mais interessante cinema contemporâneo.

João Lopes

11 julho [estreia nacional]
filme “No nevoeiro” [“V tumane”], de Sergei Loznitsa, com Vladimir Svirskiy, Vladislav Abashin,…
Alambique, 2012 / 2013

 

texto no Sound + Vision

 

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