“Jama ko”, de Bassekou Kouyate & Ngoni Ba

capa bassekou kouyate jama ko

A sua relevância será mais exemplificativa do que outra coisa qualquer, mas, em contraponto ao desarraigamento da paz e tolerância do coração do Mali, têm surgido, também no mercado português, títulos que vêm confirmar a cultura mandinga, quiçá nas suas mais oblíquas ramificações, como um invulgar postulado de concórdia e abertura. Em conjunto – e deve citar-se “At peace”, melodias de porcelana criadas por Ballaké Sissoko com o francês Vincent Segal, “The Tel Aviv session”, fantasia universalista de Vieux Farka Touré com o israelita Idan Raichel ou “Brothers in Bamako”, regenerativo e humanista ensaio de Habib Koité com o norteamericano Eric Bibb –, geram uma energia cumulativa que, não obstante alguma irregularidade na sua concretização, reanima o mesmo desígnio que, outrora, esteve na origem de “Songhai” (a reunião de Toumani Diabaté com o grupo de flamenco Ketama), “Talking Timbuktu” (o encontro de Ali Farka Touré com Ry Cooder) ou “Afrocubism” (a estelar assembleia maliano-cubana na qual participou Bassekou Kouyate). Mas nenhum destes recentes modelos de sincretismo – apesar de tudo, com o seu quê de extemporâneo – se aproxima do presente exercício de Kouyate, fascinante manifesto de esperança e integridade que traduz uma ampla mundividência para as especificidades étnicas de um país a viver dias de terror.

disco “Jama ko”, de Bassekou Kouyate & Ngoni Ba
Out Here / Megamúsica, 2013

João Santos

 

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