“É na terra, não é na lua”, de Gonçalo Tocha

 

“Corvo. Ilha do Corvo. Pleno Oceano Atlântico. Açores.” O novo documentário de Gonçalo Tocha é um diário da vida na mais pequena e, como outros dizem, primitiva ilha do arquipélago, esse lugar que “É na terra, não é na lua”. Na sua segunda longa metragem – depois de “Balaou”, de 2007 -, Tocha dá a ver as emoções do Corvo: anuncia que o seu documento não é uma representação, mas uma imagem, um reflexo de um ilha dentro de si. Tocha faz-se olho e máquina de filmar. Descreve e capta as histórias, os arquivos, os jornais, os mitos da Nossa Senhora dos Milagres que terá dado à costa numa pequena caixa abandonada, “muito lindinha”. Fixa o rosto dos baleeiros e filma o seu diário por entre as malhas de Inês Inêz, que lhe tece o gorro de corvino enquanto este “estranho” vive a própria vida da ilha – a vila, os seus habitantes, os baldios, a aerogare, o elo marítimo com o mundo ou a restante paisagem selvagem. São 15 capítulos de um elogio da natureza (da cratera do vulcão, o Caldeirão, do Morro dos Homens, o pico mais alto da ilha, das grandes falésias, das nuvens, das baleias, do mar e das suas vagas) e da vida de uma comunidade onde não há roubos, com a exceção, de quando em vez, de uma ou outra melancia que desaparece… A queijaria, a matança do porco, as cargas de gado, a ordenha, o parto do novilho, os nomes, as pessoas, os rostos, tudo isso marca esta viagem que se cose no gorro de baleeiro que Tocha orgulhosamente enverga e onde se lê “Gonçalo”, “Corvo” e “2008”. Não só isso, mas essa beleza natural de uma ilha no meio do Atlântico descoberta e, ainda assim, ainda tão desconhecida. “É na terra, não é na lua”, vencedor do Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média metragem do DocLisboa 2011, é, em grande medida pela sua extrema humildade, obra maior da cinematografia nacional recente. Três horas marcantes e inigualáveis.

29 março [estreia nacional]
filme “É na terra, não é na lua”, de Gonçalo Tocha
Alambique, 2012

 

facebook de Gonçalo Tocha

site de “É na terra, não é na lua”

 

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