Category Archives: Artes Plásticas

Beatriz Milhazes e Rosângela Rennó na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Nesta precoce primavera, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian recebe exposições de dois dos nomes mais relevantes do cenário das artes plásticas brasileiras das últimas décadas. “Quatro estações” e “Strange fruits” é a proposta combinada de Beatriz Milhazes e Rosângela Rennó, naturais do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, respetivamente. Artista que se diz apologista de uma “liberdade ordenada”, Milhazes apresenta uma série de quatro volumosos quadros, “representando” as quatro estações do ano. “Love” é a palavra comum aos títulos das obras, cujas dimensões são proporcionais à Continue reading

“Fernando Pessoa – Plural como o universo”, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Esta exposição foi a primeira sobre um autor português no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (com a conceção da Fundação Roberto Marinho, em 2010), passou também pelo Rio de Janeiro (Centro Cultural Correios, em 2011) e pode ser vista a partir de amanhã, até 30 de abril, na sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Contabilizados os visitantes (cerca de 400 mil), parecem de facto muitos, atestação de sucesso para uma exposição tão curta e sintética, embora Continue reading

“Ilustrarte ’12” no Museu da Eletricidade, Lisboa

Sendo a ilustração provavelmente o campo criativo onde se registaram na última década as mais entusiasmantes evoluções no pálido cenário cultural português, é algo natural que a “Ilustrarte” – a louvável bienal dedicada à ilustração para a infância que em 2003 começou discretamente a fazer história na cidade do Barreiro, e que agora está solidamente instalada em Lisboa – chegue a esta sua 5ª edição com um imenso sucesso artístico e mediático garantido logo no momento da abertura, que hoje acontece. A concurso estiveram Continue reading

“Oinc! – A história do Príncipe-Porco”, de Isabel Minhós Martins e Paula Rego

Assente em seis litografias da série “Príncipe-Porco” (2006), de Paula Rego, e no conto popular italiano que lhes esteve na origem (aqui moldado a partir da versão “Re Crin” de Straparola, contida nas suas “Piacevole notti”, de 1557), a escritora de livros infantojuvenis Isabel Minhós Martins concebe este “Oinc! – A história do Príncipe-Porco” com um equilíbrio exemplar entre o imaginário perturbante e violento da matéria de base e a expressão simultaneamente dramática, irónica e terna que o seu público alvo reclama. Resultante de uma encomenda da Casa das Histórias Paula Rego, esta é outra obra essencial do catálogo da Orfeu Mini e da assinalável colheita de 2011 da literatura para crianças concebida em Portugal. Continue reading

“Sabichão” na Dama Aflita, Porto

Concluindo o seu programa de exposições de 2011, a Dama Aflita, louvável e resistente galeria portuense que faz da ilustração e do desenho os seus campos de ação principais, apresenta a coletiva “Sabichão”. O jogo educativo com o mesmo nome, que muitos ainda recordarão desde os anos 70, é o ponto de partida para os trabalhos inéditos que estarão patentes a partir de amanhã, dia 10 de dezembro (a inauguração está marcada para as 5 pm). A lista de ilustradores convidados para a ocasião reúne consagrados e novos talentos, com estilos e técnicas para todos os gostos: Akacorleone, Bernardo Carvalho, Bráulio Amado, Célia Esteves, Craig Atkinson, David Robles, João Drumond, José Feitor, Júlio Dolbeth, Kruela D’Enfer, Luís Urculo, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Marta Monteiro, Min, Nuno Sousa, Oker, Paulo Patrício, Rui Tenreiro, Rui Vitorino Santos, Salão Coboi, Sebastião Peixoto, Yara Kono, Wasted Rita e Zé Burnay. Continue reading

Hugo Canoilas no Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

Aberta ao público desde ontem, esta exposição agrupa trabalhos recentes de Hugo Canoilas a par com algumas obras pensadas propositadamente para a ocasião. Sem se restringir a tendências, escolas ou linguagens de sentido único, e fazendo a apologia de um vibrante desrespeito por métodos, técnicas, suportes ou quaisquer outras convenções formais, a produção visual de Canoilas é particularmente louvável pelo modo como constantemente se auto-questiona e pelo seu peculiar sentido de “obra em aberto”. Material de construção civil convive com peças que se podem inscrever em cânones mais ou menos correntes das artes plásticas, com destaque para “Endless killing”, monumental pintura com 3,70 metros de altura e 100 metros de comprimento. Uma mostra com um significado simbólico que se constrói eminentemente na sensibilidade de cada visitante que percorra os três pisos do Palácio Vila Flor que a acolhe. Continue reading