“Reino animal”, de David Michôd

david michod animal kingdom

Por vezes, a recriação dos modelos clássicos acontece através de uma insólita deslocação geográfica e cultural. Assim acontece nesta revisitação do thriller americano com assinatura de um argumentista-realizador da Austrália: David Michôd recupera o jogo de ambivalências morais do género, refazendo-o num contexto australiano, tomando como inspiração a história de uma família de criminosos que, na década de 1980, abalou a cidade de Melbourne. Aliás, a dimensão familiar é o verdadeiro motor da ação: por um lado, porque tudo se constrói a partir de um processo de “aprendizagem” do mais jovem de todos (James Frecheville); por outro lado, porque a sua integração se faz através da descoberta da figura nuclear da autoridade matriarcal (Jacki Weaver). Daí a intensidade visceral do thriller: mais do que a encenação de um previsível confronto de Lei e Ordem, deparamos com a cruel omnipresença do Mal. Nesta perspetiva, podemos considerar que Michôd se assume como discípulo de um mestre do thriller de Hollywood: Fritz Lang. Tendo em conta que Lang vinha da Alemanha, podemos compreender melhor as raízes de todo este desencantado humanismo.

João Lopes

3 outubro [estreia nacional]
filme “Reino animal” [“Animal kingdom”], de David Michôd, com James Frecheville, Ben Mendelsohn, Guy Pearce,…
Outsider Films, 2010 / 2013

 

texto no Sound + Vision [ 1 ]

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