“Snakelust (to Kenji Nakagami)”, dos Hairybones

São 53 inflamados minutos que esmagam do princípio ao fim da sua audição. Registo do concerto do projeto Hairybones na edição de 2011 do festival Jazz em Agosto da Fundação Calouste Gulbenkian, “Snakelust (to Kenji Nakagami)” une num arrebatador jazz libertário, eminentemente físico, visceral e orgânico, as mais distintas variantes sonoras da linguagem do free praticadas por cada um destes músicos. Uma formação ativa desde 2008, que concentra euforias rítmicas, mas também sintomas harmónicos de diferentes proveniências geográficas, sob a égide aglutinadora do mestre Peter Broetzmann (aqui em magnânimo e plurívoco domínio, com performances de sax alto, tenor, clarinete e tarogato): o japonês Toshinori Kondo (frequente colaborador do primeiro, nomeadamente no quarteto Die Like A Dog) na trompete e ao comando dos dispositivos eletrónicos, o italiano Massimo Pupillo no baixo elétrico e o norueguês Paal Nilssen-Love na bateria. Um pungente exercício de vitalidade sónica, hercúlea e longitudinal amostra daquilo a que um criador de música livre se pode alcançar em 53 minutos, no qual não existe um único momento que prescinda da sua fulminante e luxuriante combustão.

disco “Snakelust (to Kenji Nakagami)”, dos Hairybones
Clean Feed / Trem Azul, 2012

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